10 de dez. de 2014

Mais um vazio

Por trás dos dentes, da barba 
Não me há 
Nem hão de me encontrar 

Restou uma casca frígida, rota 
E como havia de ser 
Oca 

Se ao avesso me vissem 
Invisível que sou 
Nada veriam

Nem minhas tão minhas páginas  
Meus sentimentos 
Minhas vontades 
Minhas lágrimas 

Meus intestinos 
Meus órgãos, ossos 

Nada está ao meu alcance 
Nada posso. 

1 de dez. de 2014

Rindo

Me desculpe querida, mas hoje estou cansado. 
Amanhã estarei
Ontem também
E daqui a algum tempo
Nem mais te lembrarei
Só me deixe quieto
É quase certo eu me recompor
Dessa ressaca existencial
Preço pelo torpor
É que me disseram
Que aquela vida anda agora sem a minha
Sem meus laços para romper
Tive certeza
E não me restou unhas para roer
É que me apego fácil
- Um carinho, um abraço
Essas coisas que vem de você
Mas nunca se engane se estou rindo, porque sou mais que um simples trovador
Eu sinto.

30 de nov. de 2014

Frio

Ontem era tão frio por ser madrugada
Mas em mim a noite se estende
Uma escuridão com precedentes
Sem cura
Vazia como a fome
E trêmula entre meus dentes.

Onde a carne insaciável
É ordem de vida
Onde o mel tão falado
Não é doce
E o doce, amargo.

Em mim há o gélido
O abstrato traduzido em verso
A morte como remédio

E a quase-felicidade
Que me dão 

Do resto.

24 de nov. de 2014

Esquiz

Ele está atrás de mim
Uma segunda sombra
Que me roça
Mas sem corpo que o aguente
Sua respiração que me sufoca
E a escuridão que me envolve
Sempre rente
Onde não há dentes a sorrir
Em frequência
Mas a rasgar carne
Minha, sempre na preferência.

17 de nov. de 2014


O sol me parece cinza
As nuvens,
Negras como meu pulmão
E putrefato como cadáver
Amando sempre morto
Seja eu, meu desejo
Ou esse objeto de criação

Depois de uma morte

Arrastava além do mundo, eu mesmo
Com correntes ao tornozelo e o sangue derramando
Se era cheio de dentes, garras ou desespero
Mancava e gemia de dor com medo do que estava esperando


Enfim morri
Sem saber quem tinha vencido
E entre trevas em frente a um espelho me reconheci
Com rosto enlameado ferido e machucado
Mas achei o que não mudou
E com tudo de mim
Percebi
Renasci

10 de nov. de 2014

Das coisas que se cala

Como sempre quando irritado, cerrou os olhos.
Contou até vermelho e esperou mais um pouco.
Passou, inutilmente, a mão no cabelo sabendo que ele não mexeria e imaginou-se no auge da expressão do seu sentimento atual.

Se agachou e com as costas viradas para cima de uma vista ortogonal, gritou o mais alto que podia até a garganta se ferir, como se não bastasse o triste futuro que preparava jogou as mãos para trás e rasgou as costas com as unhas a ponto de quebrar algumas delas enquanto o sangue lavava o chão num raio grande o suficiente para confundir entre o que era sombra e o escuro-escarlate.
Levantou o rosto com os olhos também feridos desse auto-flagelamento, brancos de cegos que estavam, e enalteceu a dor erguendo-se o mais alto que podia enquanto tentava gritar e fingir que não sentia o gosto frio, mas quente, de sangue na boca.
Trincou as mãos enquanto olhava para cima, a pele do tronco toda desfeita em tecidos que pareciam ser exteriores a seu corpo, e a ponta de pé ainda continuava essa sina louca estralando o corpo inteiro forçando a se alongar.
Das costas feridas, a coluna que se protuberava erguia-se ainda mais do corpo e um corte finíssimo surgiu da exata mediana do corpo.
Abriu os braços como se esperando um abraço, o rosto dolorido e marcado parecia chorar com aqueles olhos doentes, a boca desfigurada e o corpo ensanguentado, por vezes até verde das pancadas que outrora dera em si mesmo. Enrugou, como bem fazia quando se emocionava, o rosto e envolveu os braços nele próprio grunhindo qualquer coisa de consolador. Nesse exato momento as costas cresceram numa velocidade tão rápida quanto qualquer aceleração múltipla de infinito e o corte acabou com o sofrimento que o cercava. Explodiu. Pedaços por todos os lugares, penso até que no ar ainda paira algo de Mateus, uma pensamento que seja, uma ideia, uma vontade de morte ou qualquer coisa que não nos cause vida.

5 de nov. de 2014

Da série: Noites insones.

Escondeu de si mesmo o ar que perdeu e precisava urgentemente resgatar. 
Suspirou e percebeu que não era aquele o oxigênio que precisava, e como não, se sentia quase morrer, desesperar os tímpanos num zumbido ensurdecedor, mas fitou pelos últimos segundos a boca por onde havia entrado a vida que encerrava a dele.
Não parecia mais o suspiro de morte, o último, por assim dizer.
Com as forças tão fracamente fingidas de fracas, mas ainda frágeis por serem dele, andou singelo e bonito, chegou frente ao corpo e descobriu que além de si ela tinha um nome.
Não aguentou muito tempo a conversar, faltava-lhe algo de humano, um pedaço andante que talvez fosse reencontrado naquela saliva. Talvez fosse realmente além da saliva, além das roupas e da claridade. 
Mas se conteve. 
Preferiu achar tal em tal tempo.

Pobre, fraco. Ela foi embora com a vida dele.

30 de out. de 2014

Quando você vai embora

Se fosse poucas vezes
Ou mesmo pouco o que saísse
Mas acontece que pouco é o que tenho
E arranca quase tudo em qualquer crise

Como a torturadora
Que mantém a vida por um fio
Mantém-me sobrevivido
Sabendo da minha incapacidade
De aguentar a pancada
De toda vida que crio.

29 de out. de 2014

Reivindico

Todo ser humano tem direito de ser amado. 
Reivindico, pois, meu direito inalienável na minha condição de cidadão.
Poder executivo, legislativo ou judiciário, Deus, Deuses de qualquer que seja o lado. 

Não me interessa a quem me direciono com esses dizeres. 
Quero resumido a carvão isso que de mim pesa, mesmo que a vácuo me encha. 
Quero que, além de carbonizado, voem essas cinzas e me mantenha longe por tempo indeterminado dessa solidão que me assola 
- Infinita - 
Sem medo de errar essa prevista duração. 

24 de out. de 2014

Um toque que fosse
Que seja 
Qualquer coisa que me faça perceber 
Que sou além de uma simples consciência
Ou um pensamento solto
Uma alucinação já apagada
Ou um devaneio roto

19 de out. de 2014

18.10.14

Teu corpo anda a andar por vielas negras
Envolta numa vontade de morte
Disfarçada, fora das frestas
Atrás de máscara
Apelando ao temor
E bem sei que 
O meu amor
Não pode, diferente de mim
Dentro do teu corpo entrar
Espero, pois, uma esperança
Que não há de chegar
A minha passagem para os teus mundos
Onde estaríamos
Na medida do tempo
Simplesmente, juntos.

18 de out. de 2014

Deixe para amanhã

Deixe para amanhã essas obrigações

Deixe para amanhã esses desejos
Falsas tentações

Deixe para amanhã o amor
que de tanto amar, secou

Deixe para amanhã as minhas vontades
Pois são parte do que não sou

Deixe para amanhã o sono
Terás a eternidade para esse rumor

Deixe para amanhã a vida
Que anda de muletas, reprimida
Esperando sua hora fatal
Inúmeras vezes já assistida
In our sky,
No pain
No rain.
Or is it in my eye?

12 de out. de 2014

Skank

A noção de tempo para mim havia sido destruída.
E no final dos tempos
Na última frase de cada memória perdida
Havia seu nome.
Era minha esperança
A única. Dez mil vezes repetida.

Sumir

Meu coração parou de pulsar
As veias e artérias cessaram seu trânsito
Já aninham seu lugar para ficar.
Meu peito, recheado antes 
De pulsares, mãos, toques regulares
Agora falece sem vontade de existir 
Com um buraco insaciado
Na doença-dor
Esperança de bramir
Pelo meu medo
Essa sombra que nunca vai
Sumir.

5 de out. de 2014

No açude velho

Era uma viagem longa de bicicleta e eu já reclamava internamente. As nuvens estavam acinzentadas e pesadas, acumuladas de certo desespero, tudo estava frio e as frestas de sol que existiam eram para pessoas. Não me considerava um, eu era um amontoado de compostos orgânicos frágeis, já inertes se acontecentes ou não. 
O vento, como nunca antes, me bloqueava. Nunca fora grande, sempre mirrado e pequeno, mas dessa vez ele me proibia de seguir, era um obstáculo. Pisei mais forte no pedal, minhas coxas doíam e a vida, pensava, era dura, rasgante, carrasca, um pedaço do universo que tem obrigação de escutar: Viva!
Desceu uma lágrima, duas, três. Não me aguentava quieto e tremia o queixo cambaleando a bicicleta.
Confundiu-me até se não era eu quem chorava a chuva que descia de não sei onde, de cima, de baixo, dos lados, de trás, de mim.
Forcei mais. Tinha raiva não sei o quê. 
De repente, as coisas sumiram do meu campo de visão. A estrada que até então era de uma terra vermelha, vibrou-se dos raios solares, brilhou por assim dizer. Olhei para o lado e havia além de carros e pessoas sem rosto, esquecidas pelo tempo, flores, borboletas, pássaros que voavam pelo prazer de flutuar. Cores cada vez mais intensas, flutuações de pensamentos tolos porém bonitos, planos deixados para trás e que nunca retornariam, um passado inteiro como um mundo que ficava na estrada cinza que viajei. O açude velho, sempre tão podre em sua natureza, cintilava meu reflexo, das nuvens, do céu azul, da liberdade, de um calor.
Larguei um sorriso, com uma lágrima ainda no canto do olho. 
O vento parou de me soprar tão intenso. A chuva não me rasgava mais atravessando meu corpo como agulhas, era um banho.
Soltei as mãos do guidom e abri os braços, respirei fundo. Não havia ninguém mais, só eu a estrada e o vento.
Era-me palpável e me sentia grande, majestoso, intenso. 
Abri outro sorriso.
Tudo fora.


(Antares me falou, eu escrevi.)

3 de out. de 2014

Só mais uma

Eu ando assim meio distraído
De pensar-te nos meus braços
Eu entre tuas coxas
Absorto, primitivo
Perdido entre as tuas roupas
Num mar quente, exaurido
E me acordo do devaneio
Sempre tolo
Inutilmente vestido

Mas há outros

Tecnicamente
Só quem pode
Das minhas desgraças rir
Sou eu
Se gargalho
É porque há lágrimas
Prestes a sair
Montantes pedregosos de sal
Barulhentos
No meu ouvido a zunir

Que deves?

Falei com Deus hoje.
Não, não foi nada que pudesse ser percebido e eu fiquei realmente decepcionado com a falta de explosões. 
Nada como hão de te falar: Em cima das nuvens, com grande pompa e glória; Estava de chinelos, uma túnica bem fora de moda e a barba por fazer.
Me olhou de cima a baixo, de baixo a cima, estalou a língua e disse em alto e bom tom: "Que queres?" .
Esperava, sinceramente, ter meus ouvidos estourados num banho de sangue, mas nada, respondi titubeando e tropeçando quando finalmente percebi quem estava ali: "Nada, só vivo".
Ele olhou para os lados apertando os olhos, franzindo a testa como se estivesse atravessando uma rua ao meio-dia numa cidade qualquer baseada no inferno, jogou os cabelos espessos para trás(aquilo deveria suar muito a testa, eram quase como dreads, mas mais finos) e disse inclinando o corpo para frente e falando mais baixo, quase sussurrando:"Que deves?"
Minha cabeça rodopiou. Girou entre pensamentos cada vez mais profundos e desconexos "O que eu devo? Para alguém? Eu sou alguém?". Coloquei a mão na testa como se para estacionar ou controlar as minhas reflexões, não adiantou, não devia nada financeiramente falando, mas deveria a alguém? Deveria fazer algo? Dever é sobre obrigação ou direito?
Agora ele estava com as mãos na cintura olhando uma serra, o trânsito lento, a túnica suja com uma marca de mão marrom. Olhou de supetão, virou a cabeça, me olhou fundo nos olhos. Ficou sério. Me deu medo. 
Veio em minha direção e voltou a sorrir: "Que queres?"
Minha resposta dessa vez era diferente, comecei a formular, flexionar cada verbo da melhor maneira possível, mais clara, e continuei tentando explicar para mim mesmo como explicaria o que queria.
Enxugou a mão suja de novo na roupa e caminhou sem direção precisa, os braços começaram a evaporar, as pernas a pulverizar, percebi que Ele estava indo embora e gritei como podia: "Para onde vais!?"
Ele me respondeu com o que restava do rosto, sem olho e meia boca: "Lá."

30 de set. de 2014

Quando estou calado

Não penso muito mais
Não mais do que você
E meu corpo anda a espreitar-te
Por entre becos de pensamento
De profundo desespero 
Ou esperado momento 
Onde hei de refletir como quem é por merecê-lo
O dia que teu corpo há de me cobrir
E na tua boca haverá meu nome a sorrir 
A noite para acabar meu pesadelo.
Fazer-te feliz
Ficava por estar a te fazer alegre.
Se fiz diferente do que se faz 
Foi tua a culpa de transformar 
Em mais fina tua foz
Que forte desembocava fiel
E ferrenho era nosso fazer
De feitio sempre firme.


(brincando de escrever)

23 de set. de 2014

Tapa-buracos

Comigo dentro ou fora
Entre prazer e euforia
Era eu a vasculhar-te toda
Em volta
Entre conversas e melancolia
Eu a dialogar, discutir tudo que me assola.

Estava, pois, a cobrir-te como um cobertor
Não tinhas um, nem a mim sem pudor
Me fizeste cego por uma porção de vezes
E bem queria que assim continuasse
Mas me jogaste num mar de mortos
Onde a água sangra
Sangue podre, empretecido
Onde é igual a dor 
E tudo o que existe é o mesmo que o anterior
Onde me deixaram ao ar livre
Ar fresco, me disse
Ar gelado, retruco
E no fim, nem respirar consegui.
Sem esperança, morri.

Por que céus, a decepção?

Vinde castigo
Que a morte é fuga
E já dançou comigo

Vinde paixão
Que das torturas
Essa é a pior opção.

22 de set. de 2014

Não quero que vá.

Mas
Do que você lembra de mim
Daquilo que me tem de conhecido
De tudo o que acha que fui, sou
Lembre-se como minha última palavra
E que martele dentro do que não quebrou
Quero Rosas
Rosas negras
Pretas e vermelhas.
No enterro que não acontecerá
E no funeral que não quero que vá.
Rosas negras, rosas, pretas, vermelhas
Todas em cima de mim
Me esperando no além-mundo
Da minha esperança hipócrita
Pois tal, não há.

22.09.14

Minha cabeça dói sangues coagulados
Não ando como antes
Há sempre algo que me persegue
Alguém, até talvez, cercado
De noite, como um albergue.
Me confundo comigo próprio
E até minha voz não se encaixa
Uma paranoia.
Não vou aguentar muito tempo.

20 de set. de 2014

Quando cheguei perto
Meu coração batia 
Não estava morto
E dessa vez eu sabia.

Me deseje sorte

Me deseje.
Me deseje sorte ou qualquer outra coisa
Que meus passos não são seguidos
Não sei para onde vou
Com meus pés já doloridos
De correr, andar descalço
Sem ter guia
Muito menos amigos.
Sem ter com quem contar
A começar pela sola
Já estou destruído
Ao procurar o que não se acha
Andando, correndo em círculo
Em volta de mim mesmo
Sem me tocar
Tangenciando
Meu inalcançável objetivo.

19 de set. de 2014

Única vez

Quando finalmente entrei, expirei
Um grito baixo, quase inaudível, soou.
As forças que tinha para defender
Eram destruídas, forçadas ao suicídio
Comidas sem o menor rancor

Em ritmo crescente de cansaço
Sem muito esperar beijava
Roía tuas coxas
E para meu mundo te roubava

Sem saber que nele

Já preparavas meu túmulo
Com nome, data de jaz
E cova rasa.

18 de set. de 2014

Numa noite.

O sutiã desceu leve como a minha mão a descobria
As costas nuas de nuances monocromáticas
Pela noite cinzenta de cigarro e sombras
Traduziam-me um momento
De insinuação muda, surda
Que me recobrava o que tanto pensava
O toque, o beijo, a voz, a fuga.
Mas
Não te ouvi dizer
Não escutei teu querer
Se falou, não faça-me esquecer
Se buscou, não desista de fazer!
Pois
Se não percebeu
Por uma timidez
Desejo você.

15 de set. de 2014

Que o mundo nus deixou

Venha
Que o mundo lá fora é frio
A esperança jaz
E o amor secou

Venha
Que te trago
Te instalo
E me refaço
Pelo teu calor

Venha
Que te quero
Te abraço
Te espero 

Venha
Sentir o desfazer do mundo
Pelo meu fervor
Porque o mundo

Nus deixou.

14 de set. de 2014

Culpa social

Desculpas para mim não existem.
Ponto.
O que faço quando peço perdão é me perdoar por ter lhe machucado
Acho que por isso, há algum tempo já, não falo mais tanto quanto antes
Pois sei da finês da minha língua 
De mim como carrasco
Do tanto que já sei mais sobre você que você mesmo
Acho também que é por isso que ando mais calado e não tenho feito tantos amigos
Os que crio, imaginários ou não, afasto
Os que já tinha, machuco
Ando calado pelas tempestades que já borbulham e trovejam barulhentos em mim
Tanta coisa grita que não sei mais o que escutar
As vezes, é uma questão de pensar
Sinto culpa pelo que reflito
De saber o porquê.

Pathos.

Patos é uma cidade quente, infernal, cheia de demônios, mas tudo isso mora num lugar infinitamente pequeno para o tamanho dela:
O espaço e o tempo entre uma batida e outra
no intervalo do espancamento diário do coração sobre nós.
Sem dúvida ele me odeia
não há um só momento em que
perto de você
ele me acaricie.
São pancadas fortes
impiedosas
cheias de algum sentimento abarrotado
e saturado de si mesmo.
Uma esperança tola e coletiva
véspera do ressurgir masoquista
a que todos chamam Paixão.


Inspirado em conversas e constrangimentos com Guilherme Hell.

13 de set. de 2014

Do gênio que já somos

Se ser gênio é uma condição dos incompreendidos
Loucos
Superos
Todos temos potência de sê-los
Somos loucos à nossa maneira
Incompreendidos até por nós mesmos
E quanto a supería
É só ser melhor do que o Bem
Transplantar nosso cérebro, nosso eu
Para o futuro, nós mesmos daqui a tempos
Só nos falta saber que a capacidade existe
Que somos
Que sempre 
E sempre
Podemos
Pois traçamos nosso caminho segundo os Outros
Por que então não Sê-los?
Fazer-se ser seguidos?
Nós já o somos a bem na verdade
Só nos basta sabermos.

5 de set. de 2014

A(r)mado.

Lembro do que não olhava e de como não me sentia
De não existir, disso realmente eu queria.
De olhar esperançoso para o tempo
Esperando que ele não me cobrasse,
O que dele eu gastava
De esperar que esse bastardo
Ousasse minha natureza
E fizesse do meu orgasmo Um
E não uma brado.
Completo.
Teatro.
A(r)mado.

04.09.14

Vou terminar por me matar
Concluir umas poucas promessas feitas
E acabar.

4 de set. de 2014

Sabe?

Uma saudade corrosiva sabe?
Uma vontade de pular no pescoço
E como um cão faminto e raivoso
Beijar da cabeça aos pés
Cada um dos centímetros cruéis 
Que compõem a música que insiste em rufar 
Quando os meus tambores a bradejar
Discutem com os teus essas peças de encaixar.



04/09/14 - 01:40 a.m


31 de ago. de 2014

Aquele brilho eu não consigo ver por uma tela de computador, por palavras escritas, digitadas. Os olhos nunca se comprometem numa câmera.
São sete horas, e o tempo que gastei desde quando me acordei foi somente para te esperar, te ver, beijar.
Não espero, sinceramente, nada mais que o sentimento que por hora me oferece. 

27 de ago. de 2014

Crônicas de Ônibus II

E aquele batom, escarlate
Vinho como o que já evaporava friamente
Dividindo dois mundos
Dentro, 37 graus
Fora por fumaça e álcool
Eram os cinco minutos guardados dentro de cada cigarro
Queimados, desperdiçados.

Sobre encontros

Me perguntei na dúvida que queria
Porquê não nos beijamos.
Se eu conhecesse a mim mesmo o faria?
De olhos fechados, boca fechada, vontade
Ou me resguardaria?
Um outro que me esquentava
Esperaria?
Conversa como quem nada, água de beber
Teria?
O meus segredos explorar, deixar escavar
Insinuaria?

24 de ago. de 2014

Odeio esse seu sorriso de mentirosa.
Não finja para mim que está feliz,
eu sei muito bem que não posso lhe deixar totalmente e perfeitamente alegre.
Sei que quer ser feliz comigo,
mas saiba desde já que se nem mesmo eu sou, como vou te transformar nessa condição?
É curto nosso tempo,
e mais curto ainda o que temos para esse Nós que você inventou.
Já estamos desatados desde o começo e espera mais
Você precisa de alguém e está errada em pensar que eu sou esse rapaz
Vá, me deixe como sempre faz,
Passe pela porta e não olhe para trás
Prefiro a companhia do nada e restaurar minha paz.



Da  série poesias feias.

17 de ago. de 2014

Desabafo de casado.

Em desabafo
Vômito matinal que me desafoga o dia
Decidi os meus passos que serão seguidos
Nunca guiados.
Cansei da vida por viver, de deixá-la ao léu.
Cansei do que esperava no olhar
Casei, é claro, por errar
Único
Lindo
Transparente foi o diamante preso no anel que te dei
Assim também é você
Que depois de te engolir é difícil de jogar fora 
Machuca a garganta, rasga, chora.
Como qualquer dor, que deixa sua marca, nesse caso, interno
As cicatrizes que descrevem o caminho que um dia você andou
Vão incomodar tudo o que um dia eu comer, me dará pavor.
Eu te cuspo
Melhor
Escarro.
Não te quero, nunca mais.
Já me basta
Meu Eu criado.


Sem Título

Quero voltar a escutar os teus gritos
Os teus gemidos
Tuas vontades
Teus desejos, loucos desejos.
Quero ser chama acesa no álcool e morta no gozo
Quero sua orelha para me escutar, morder, lamber.
Quero seu corpo para eu sentir, tocar, tremer
Quero tudo o que tiveres de arsenal
Quero ser atingida em cheio por você.
De encontro.
Corpo ante corpo.
Sentir teu gosto, comer.

Bilhete encontrado, mas nunca entregue.

O mundo só existe como se vê. Talvez um pouco mais pelas frequências que não enxergamos, mas o que eu quero dizer é que só as coisas materiais valem. Por mais que se sinta, esses sentimentos e sensações passam – Ainda não inventamos um modo de fazer o passado se tornar presente e reviver as vontades, vivências de um período e para lhe dizer a verdade não sei se essa invenção seria boa, afinal a vida é feita de futuros.
É por isso que lhe dou um presente e este bilhete: Para que lembre e entenda quando esquecer. Para que, quando passado, tudo seja uma lembrança boa e não só lembrança porque se você me quer agora, vai me querer sempre.
Somos iguais, só admitimos quem sempre fomos.


P.S.: Fui eu mesmo quem embrulhou. Foi difícil. Sério.







Pallet te Amator,
Herm.





15 de ago. de 2014

ALUGUEL, Garoto de.

Me dê um único motivo para lhe amar
Os únicos que tenho são para a vida lhe tirar
Nunca percebeu. Nunca lhe amei. Lhe odiei.
Mas insiste em usar meus lábios contra os teus numa briga incessante. 
Eles não querem brigar, não querem te tocar. 
Se contentam com o assobio do vento a te mirar. 
Sozinhos a melodia é mais pura que esse teu erotismo barato.

Enquanto isso, do outro lado da rua, repousa de vestido: 
A fumaça foge do cigarro, o carro sai, olha para o céu 
E grita entediada, porém muda, os dizeres que nem para si fala.
Amar quem ama por trabalho, e de longe me apaixonar, cair, me sujar. 
É condenado já o nosso amor.
Te consumo, mas tenho prazo de validade
Te beijo, mas dentre tantos, que sou um na contagem
Te mordo, e essas marcas não são da idade

É o inferno que me aguarda se não já o vivo
Cada toque seu é a parte que te cabe do meu crivo
Do meu suor no trabalho e no teu risco
Se me amaste foi pelo tempo que te aluguei
E essa minha morte é mais um pedaço da minha vida
Que anda desperdiçada por não termos ido.
Ou mesmo vivido.

Amor singular

Para os outros somos enamorados
Mas pra mim
Nada disso.
Talvez pra você
Essa explicite o que sente
E o que acontece
Mas para mim
Não devem nos chamar Eles
Muito menos Nos chamar
O plural da palavra define
Qualquer outra coisa que não essa
Para mim
Sou um único eu quando perto de você
Finalmente eu.
E únicos um, como me sinto
Singular a palavra.



23/07/14 - 11:19 a.m





11 de ago. de 2014

Branca

O dia hoje estava lavado de chuva nas construções mal pintadas, nos telhados ainda não pagos, nos sujos estacionamentos, no óleo grosso que escorria dos carros parados, pacatos como essa cidade. Havia um pouco de timidez nas crianças que olhavam esperançosas para o céu e pensavam que o sertão morresse de seca se fosse preciso para que pudessem mais uma vez serem livres nas ruas de mentiras e brincadeiras. Por coincidência, um dos garotos se mantinha agarrado a uma bola desgastada e riscada, remendada das vezes que se rasgou no muro da vizinha.
Essa vizinha, assistia televisão quando viu um comercial de um dos canais, desses que nunca se assiste, nunca se sabe o nome e servem nada mais como obstáculo entre um canal e outro de interesse. Falava sobre o destino possível da humanidade se o mundo continuasse a ser o que era, que todos éramos condenados e que tal igreja (nunca se decora isso) era a salvação para a maldade humana. Ela parou um tempo, pensando porque razão estava assistindo toda aquela bobagem, mas refletiu sobre o que disse. Decidiu visitar a igreja. Não que tivesse medo dos dizeres cuspidos, mas lhe interessou por um detalhe na camisa azul, polo, que carregava, seria uma mancha de sorvete? Um marca na lente da câmera? Não, isso não poderia ser, mas ficou curiosa e decidiu sair.
Vestiu uma roupa, um vestido de renda que fazia dez anos que esperava uma oportunidade para usar, as oportunidades apareciam, mas para ela nunca eram boas o suficiente para gastar aquela roupa. Olhou a maquiagem em cima do criado-mudo e percebeu que a poeira que acumulava era suficiente para espalhar pela casa e ainda achar muita, e também pensou o quão cruel era aquela palavra, mas afastou esses pensamentos da cabeça.
Branca, nunca saia de casa, não se sabe bem se por vidência ou coincidência a mãe lhe deu esse nome, mas o usava com orgulho em suas assinaturas, ou cartas - Nunca falava com ninguém.
Aquele era um dia especial, era a lembrança palpável de quem um dia a ensinou como adivinhar e conhecer as pessoas, não porque realmente fosse uma data prescrita, mas a iniciativa fazia parte de um conjunto de pensamentos que a torturavam nesses últimos tempos. Tempos, pois não sabia bem se semanas, meses, anos. Essas coisas de amor são sempre tão atemporais que os minutos rolavam horas a fio as vezes e por vontade própria.
Quando estava saindo de casa percebeu que o vestido era amarelado, mas agora não sabia mais se era por causa do tempo que tinha passado, se eram os produtos de limpeza que o estragaram, ou se sempre fora assim. Não importava, ninguém naquele lugar ou qualquer outro havia visto ela com aquela roupa ou mesmo ela, era, então, novíssima em folha.
Saturada, pelo nada que a preenchia, fora uma decisão firme e incisa, grande o suficiente para fazê-la parar na frente da calçada no primeiro pé na sarjeta que colocou.
"Porquê?" - Pensava, esperando uma resposta do céu, caída e talvez até doce.
O céu era cinza como os muros da casa dela, de vez em quando um feixe de alguma luz indecisa, e as gotas pareciam desviar um caminho para o carro. Teria gasolina?
As linhas da calçada pareciam tão distantes, ela tinha obrigatoriamente que nunca tocar nelas, mas se estavam tão distantes, como poderia chegar no próximo campo? Pular essas linhas?
Colocou a mão na cabeça, o rosto vermelho, uma dor de cabeça infernal, estava presa, alguém havia prendido, não conseguia se mover, estava sedada? Tremeu como se com frio, mordeu o polegar, roxeou, sangrou. Tentou gritar, mas ficou com medo das pessoas que pudessem vir, seriam mais de uma, era inaceitável, amedrontador, custaria voltar a si, perceber que elas não a queriam para si, ou pedaços dela. Era o segundo passo e ela não estava nem perto do outro lado da rua. Desceu a mão da cabeça, vagarosamente, como se cogitasse a cabeça rolar se não a apertasse com tanta força. Apertou os olhos, coçou o nariz, apertou um beliscão nos lábios e virou a cabeça de olhos fechados para aquela vista do céu. Se tivesse com quem, até tomaria uma banho de chuva, eram denunciosas aquelas Cummulus.
Mais um motivo para o dia ser especial. Quem lhe ensinara aquelas coisas de nuvens, além das que saiam da boca dela? Riu sozinha desses risos de desespero, de desafogar-se, de que vem molhado e realmente veio.
Enxugou a lágrima com a borda da gola da camisa e virou prendendo o choro de frente para a platéia imaginária que ela criou.
Abriu a porta e sem olhar para trás, fechou atrás de si.

10 de ago. de 2014

A respeito de hoje e outros dias.

Eu não entendo esse pessoal postando essas coisas sobre o dia dos pais. Homenagens, fotos, textos gigantescos, vídeos, e mais fotos. Ora, me parece muito com um costume muito difundido entre os homens de olhar para as mulheres e mostrar aos outros homens que se está olhando e que a deseja. Ridículo, não tem segurança sobre si mesmos, precisam do apoio secundário, ou melhor, primário do outro. 
Mostrar aos outros o seu amor pelo pai é muito pobre, porque não faz isso na frente dele? Ou se está morto, porque não oferece os sacrifícios segundo a sua fé? 
Desculpem-me os que não, mas é muito mais provável que esse amor escrito e registrado em fotografia seja parte de uma convenção social. Não se faz pelo dia ou pelo pai, mas pelas obrigações que se impõe no indivíduo.
E fico com a mesma opinião sobre: Ridículo.

7 de ago. de 2014

A respeito da Arte

Se fosse possível reproduzir o que um artista fez, não teríamos arte, teríamos industria. O artista é um ser que transcendeu a humanidade, ele esteve em tudo e percebeu o que é belo, sorte que o gravou.
Com suas exceções, há pessoas que usam esse título inadvertidamente e ganham certa fama, não porque fosse realmente um artista, mas porque criou algo que ninguém consegue entender. Isso não é arte. Arte acontece na mente de cada um quando por razão ainda desconhecida pelo Universo, provoca nas pessoas que a veem um sentimento, algo do que o artista provou misturado com o que já viveu. E as vezes, nem isso.
Uma lágrima desce, o sorriso desponta, uma olhadela pra qualquer coisa, são tantos os sintomas dessa doença milagrosa...
Só é pena que alguns são imunes.
(Reflexões das coisas da semana) - Eu mesmo.

4 de ago. de 2014

Falta

Minhas saudades não são minhas
São suas
Mas tenho medo de te devolver
E você nunca mais voltar
Me deixa te dever essas
Ainda não tenho como pagar.

Te beijar, te tocar
Vamos, não me deixe a te esperar.

27 de jul. de 2014

Doce como Suspiro

De encher o vento de substância pesada
E sair mais sujo do que entrou
É ilusão pensar que desgasta o que sufoca
Porque não acontece, se volta.

Recupera o fôlego de si mesmo

Cansado a repetir o mesmo ciclo
Queima cachaça a garganta
Consome o pensamento a esmo.

11:38

26 de jul. de 2014

Culpa

Eu não tenho culpa se sinto saudade 
Não tenho culpa se amo

Minha solidão é a sozinhez em que me guarda

Que de triste me chamo

Se me faz feliz é quando sou-te

Se me fiz feliz é que fui-me
Seu, meu, nosso.



Inspirado nas vezes que a noite tive.



17 de jul. de 2014

Suor

Meu sarcasmo ácido
Minha vontade carrasca
Meu querer drástico
Mas eis que você vem
Básica 
Destrói minha auto-destruição.
Das sobras na sala
Vem o suor

De você

Se muito, me queima
Se pouco, me queimo
Se medida, engulo-te

7 de jul. de 2014

Pedaços de mim

Minha mão se recusa a escrever.
O sacrifício que faço agora para desenhar pensamentos
É maior que a dor do parto
Sai de mim como um vômito
Um feto maldito
Ainda assim, um sofrimento mascarado.
Um rasgo de sangue que como qualquer morto que cai
Não tem onomatopeia diferente
Espalha suas entranhas sujas e tinturadas no papel
No baque do risco quente.
E de lá não mais sai
Prefere o meu rosto opaco e seco de papel
Ao meu rosto de sombra, transparência e fel.

6 de jul. de 2014

Passado louro

Desestabilizado
Caído
E por demasia
Amado.
Com tudo acabado
Nada mais sou
Que o antigo prazer
Saciado
Um brinquedo que por sorte
Ainda não está quebrado.

06/07/14 - 10:38 p.m

Iota

Minha insegurança é por não estar aqui; Eu no espaço.
Quando você sai, o chão físico e frio se desdobra, se envolta como uma roupa, e em você, nua como estava, veste.
Mesmo pedindo e implorando, você não me ensina a voar, promete.

Como fico eu a cair?
Eternamente, lhe digo, é uma certeza.

É graças que todo infinito tem seu fim
E minha queda causa tua acaba num beijo
No suspirar do futuro
Nos sonhos repostos na mesa
           refeitos
           ruminados
                    pensados e inacabados

De mais gargalhadas a rir
De mais temores a sentir
De mais beijos a vir
De mais a permitir
De mais a ir
De mais
Mais
I.


00:37 - 05/07/2014
Eu sou o que quero ser 
A vontade de ser o que quero 
Sem sê-lo
Mas o sendo desde agora

Eu sou o máximo do que se pode existir

E a menor das partículas
Eu sou a construção do mundo
E a sua destruição

Eu sou o mundo
O medo de ser
A maior força
A superação

Eu sou o ódio de todos
Eu sou a sua vontade
Eu sou o seu poder
Eu sou a sua amargura
Eu sou a sua tristeza

Eu sou-te

Em felicidade ou raiva
Em qualquer você que paira.

Lembre-se das estrelas

Não olhe pro futuro
Ele é malvado

Há muito mais poesia
Nisso que te dou
E no que te dão
O presente

Não te tortures com as lembranças que ainda virão
Pois elas ainda não vieram
E mal sabes que nem sabes se assim serão...

Só te preocupe no aqui e no agora
Sem o peso do tempo ou do espaço
Onde você pode ser feliz
Quando podes sorrir

Mas se nada disso funcionar
E estiver profundamente triste
Olhe para cima.

Lembre-se das estrelas.





24/06/14

27 de jun. de 2014

Delírio

Você entrou no meu quarto como qualquer um faz, examinando, experimentando o chão, investigando. Me reconheceu no meio de tantos tecidos e sorriu largamente. Eu quando percebi quem entrou sorri como se esperasse cortar minha cabeça ao meio, e bem poderia fazê-lo, mas sua presença era valiosa demais pra deixar que acontecesse.

Minhas costas doíam muito, mas ignorava esses simples detalhes passageiros. Até agora não sei bem se aquele abraço me doeu ou me afagou. O que importa é que você estava ali, do meu lado brincando sobre minha temperatura e eu febril não só pelas chagas que me acompanhavam, mas sem poder fazer mais do que lhe abraçar.

Adormecemos juntos, e quando acordei, levantei ante a luz que me incidia torturante nos olhos. Dessa vez eu sabia que a viagem que fez era para nunca mais. Triste, adormeci.

Quando acordei brusco, percebi que nem mesmo despedir-se você foi, tudo fora um sonho.

23 de jun. de 2014

Feche os olhos.

Repito o eco do meu eco
Toda vez que encosta nas paredes internas do meu crânio


Estremece o meu corpo a idéia
Incisa e afiada
Cortante e já dilacerada.


Toco o meu rosto
Encaro a minha beleza
Tocas o meu corpo,
Já incendiado,
Pensas que podes me pensar
Em meu pesar e me entender


Já é noite e me sentes
A boca, a cicatrizada marca, o pênis
Quente.
De olhos fechados,
Diferente do que pensas,
Me vês muito mais que completamente.

21 de jun. de 2014

Voçê

Depois de tanto me falar
Me achei mais rápido do que pensei.
Foi a sua distância,
Me distanciando de mim mesmo,
Que me proporcionou me ver
Caído
Fundido com o chão
Com um único olho parado, incrédulo.

De todas as coisas do mundo
De todas essas que lhe falar pudesse
Escolheria a que não está a meu alcance como opção
Escolheria ouvir de voçê o que lhe surgisse
Me empanturrasse com o que voçê me enchesse
Dentro de voçê, esquecido tudo, como muito faço e
Dormisse.

Tendo a Noite como dama
Um Ménage

Quando n'outro dia acordasse
Para que o destino não me seguisse
Que eu, então, esquecesse.

20 de jun. de 2014

Ao verme.

É esse cheiro irritante que todos nós buscamos, o fétido destino.
Provamos o prazer tocando na morte e
Sem perceber nos acostumamos com o verme que,
Sem pressa,
Nos ama num voyeurismo antropófilo.
E tal qual o mais valoroso e delicioso coito,
O verme entra,
Orgasmo da natureza,
E rompe o hímen presente em todo derivado carboxílico, orgânico.
Sádico, termina o jantar antropofágico,
Limpando a boca mergulhando num mar de terra fértil, desse eterno ciclo.
Não é a toa que mais sedutora que a morte,
Promíscua e libertina,
Só a vida, sombra e silhueta.

17/06/2014