15 de ago. de 2014

ALUGUEL, Garoto de.

Me dê um único motivo para lhe amar
Os únicos que tenho são para a vida lhe tirar
Nunca percebeu. Nunca lhe amei. Lhe odiei.
Mas insiste em usar meus lábios contra os teus numa briga incessante. 
Eles não querem brigar, não querem te tocar. 
Se contentam com o assobio do vento a te mirar. 
Sozinhos a melodia é mais pura que esse teu erotismo barato.

Enquanto isso, do outro lado da rua, repousa de vestido: 
A fumaça foge do cigarro, o carro sai, olha para o céu 
E grita entediada, porém muda, os dizeres que nem para si fala.
Amar quem ama por trabalho, e de longe me apaixonar, cair, me sujar. 
É condenado já o nosso amor.
Te consumo, mas tenho prazo de validade
Te beijo, mas dentre tantos, que sou um na contagem
Te mordo, e essas marcas não são da idade

É o inferno que me aguarda se não já o vivo
Cada toque seu é a parte que te cabe do meu crivo
Do meu suor no trabalho e no teu risco
Se me amaste foi pelo tempo que te aluguei
E essa minha morte é mais um pedaço da minha vida
Que anda desperdiçada por não termos ido.
Ou mesmo vivido.

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