27 de jun. de 2014

Delírio

Você entrou no meu quarto como qualquer um faz, examinando, experimentando o chão, investigando. Me reconheceu no meio de tantos tecidos e sorriu largamente. Eu quando percebi quem entrou sorri como se esperasse cortar minha cabeça ao meio, e bem poderia fazê-lo, mas sua presença era valiosa demais pra deixar que acontecesse.

Minhas costas doíam muito, mas ignorava esses simples detalhes passageiros. Até agora não sei bem se aquele abraço me doeu ou me afagou. O que importa é que você estava ali, do meu lado brincando sobre minha temperatura e eu febril não só pelas chagas que me acompanhavam, mas sem poder fazer mais do que lhe abraçar.

Adormecemos juntos, e quando acordei, levantei ante a luz que me incidia torturante nos olhos. Dessa vez eu sabia que a viagem que fez era para nunca mais. Triste, adormeci.

Quando acordei brusco, percebi que nem mesmo despedir-se você foi, tudo fora um sonho.

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