5 de nov. de 2014

Da série: Noites insones.

Escondeu de si mesmo o ar que perdeu e precisava urgentemente resgatar. 
Suspirou e percebeu que não era aquele o oxigênio que precisava, e como não, se sentia quase morrer, desesperar os tímpanos num zumbido ensurdecedor, mas fitou pelos últimos segundos a boca por onde havia entrado a vida que encerrava a dele.
Não parecia mais o suspiro de morte, o último, por assim dizer.
Com as forças tão fracamente fingidas de fracas, mas ainda frágeis por serem dele, andou singelo e bonito, chegou frente ao corpo e descobriu que além de si ela tinha um nome.
Não aguentou muito tempo a conversar, faltava-lhe algo de humano, um pedaço andante que talvez fosse reencontrado naquela saliva. Talvez fosse realmente além da saliva, além das roupas e da claridade. 
Mas se conteve. 
Preferiu achar tal em tal tempo.

Pobre, fraco. Ela foi embora com a vida dele.

Nenhum comentário:

Postar um comentário