Como sempre quando irritado, cerrou os olhos.
Contou até vermelho e esperou mais um pouco.
Passou, inutilmente, a mão no cabelo sabendo que ele não mexeria e imaginou-se no auge da expressão do seu sentimento atual.
Se agachou e com as costas viradas para cima de uma vista ortogonal, gritou o mais alto que podia até a garganta se ferir, como se não bastasse o triste futuro que preparava jogou as mãos para trás e rasgou as costas com as unhas a ponto de quebrar algumas delas enquanto o sangue lavava o chão num raio grande o suficiente para confundir entre o que era sombra e o escuro-escarlate.
Levantou o rosto com os olhos também feridos desse auto-flagelamento, brancos de cegos que estavam, e enalteceu a dor erguendo-se o mais alto que podia enquanto tentava gritar e fingir que não sentia o gosto frio, mas quente, de sangue na boca.
Trincou as mãos enquanto olhava para cima, a pele do tronco toda desfeita em tecidos que pareciam ser exteriores a seu corpo, e a ponta de pé ainda continuava essa sina louca estralando o corpo inteiro forçando a se alongar.
Das costas feridas, a coluna que se protuberava erguia-se ainda mais do corpo e um corte finíssimo surgiu da exata mediana do corpo.
Abriu os braços como se esperando um abraço, o rosto dolorido e marcado parecia chorar com aqueles olhos doentes, a boca desfigurada e o corpo ensanguentado, por vezes até verde das pancadas que outrora dera em si mesmo. Enrugou, como bem fazia quando se emocionava, o rosto e envolveu os braços nele próprio grunhindo qualquer coisa de consolador. Nesse exato momento as costas cresceram numa velocidade tão rápida quanto qualquer aceleração múltipla de infinito e o corte acabou com o sofrimento que o cercava. Explodiu. Pedaços por todos os lugares, penso até que no ar ainda paira algo de Mateus, uma pensamento que seja, uma ideia, uma vontade de morte ou qualquer coisa que não nos cause vida.
Nenhum comentário:
Postar um comentário