2 de dez. de 2012

De novo


O chão que antes só me calejava as mãos me traz saudade. Pensar, discutir, andar, comer, beijar, se apaixonar todos os dias. Ser, deixar de ser, existir, nada, mais, mais que amar . Os círculos, quadrados, minhas cabeças, personalidades, medos, nomes, descobertas, só serão lembranças. Impossível, ilimitado, infinito, ins, in, e, mais uma vez os braços se batem, os dedos se tocam e fogem, e de novo tudo é só uma lembrança. Tudo é. É é presente. Presente do demônio.

2 de out. de 2012

querer

Quanto desejo por não
corresponder foi
desperdiçado, vontade
ígnea que por outros
não foi derramado.
Se viver é ser feliz,
já não sou mais torturado,
pois estou morto.
E o frio que tece
o corpo, padece na
mesma música d'um
calor inteligível,
sintetizável, irredutível.

Imitação

      Vi um urubu, em sua recolhida solidão. Andava cabisbaixo, corcunda à procurar restos sobreviventes.
      Ainda bípede, um homem imitava-o. As mãos para trás tal qual asas prontas para recuar, mas esse não retrocedia, avançava as suas no que visse de opaco ou brilhante, e metia com infinita voracidade na boca. Não sentia gosto, não havia tempo, engulia como se fizesse o papel da saliva. Andava desviando, sem olhar,  os cacos de vidro ou espinho, talvez nem mesmo ele soubesse que o pé, impenetrável, fazia esse papel.
     Me assustei. Nunca vira tamanha aptidão para atuar.

Continue

Minha caneta já está
suja e arranhada das
guerras que contei
das bombas que listei
dos males encontrados
dos amores que acanhei.
Das curas sem desejo
e os sem cura buscados,
mas desço do pedestal antigo 
para ouvi-la e senti-la
do lado do meu inimigo.

15 de jun. de 2012

Dança

O seu cheiro me fascina
é leve, salgado e moreno.
O seu rosto, tocado pela noite
brilhava por me ver, e em cada toque novo,
uma bomba explodia dentro de mim
e a fumaça, pesada, desse fim, saia
na boca formando palavras.
Amaria sua voz se entrelaçando na minha
para anestesiar a infinitude do desejo
que se instalava em cada sim!

16 de mai. de 2012

Até quando?

Minha boca encharca de desejo
e que o sobra, cai de sussurro no teu ouvido
que responde uma pergunta não feita
com um arrepio.
Como em medo, teus olhos fecham
e se encolhe pedindo um abraço,
calando a própria vontade.
Então, somente a luxúria e um lobo
me abraçam e me escutam.

3 de mai. de 2012

Satélite

Em inércia hipocondríaca,
teu olho de icterícia
ou tua unha mal ruída
sangram os pulsos e
os cabelos voláteis de luz
de invisível e fria chuva
carregada de tristeza
e preenchida com solidão.

30 de abr. de 2012

¬ Ânimo!

Nem meus orgasmos satisfazem
essa devassa tristeza que abomina 
os membros e o andar bípede de
uma lesma, um balbuciar satânico
sem pronuncias de um ódio, um 
rancor de formas tamanhas.
E como num golpe, um sino d'ouro
martela os ouvidos meus com a força 
quadrúpede de um touro.
Morro-me todas as noites de tédio
até uma trindade temporal, para por 
duas horas descansar as vinte e duas
de sorrisos falsos e idiotices precisas.

27 de abr. de 2012

O beijo

Quero deitar no teu corpo,
enchamear os corpos
tocar o teu rosto,
de sentimentos postos
morrer no gozo,
de mil vidas tristes,
cortar um sorriso,
de alvos dentes prestes
a invadir um céu de piso – vermelho.

24 de abr. de 2012

Em cada janela, uma história.

Um livro mumificado
folhea o rosto alvo
de uma vida negra
e das palavras que
prometem, saem juras
de pedras, pedras que
choram lágrimas doces
que pedem a exaustão,
e aos sentimentos que morram.

4 de abr. de 2012

Eu, ícaro.

O negro véu da minha
tristeza derrete os olhos.
E eu nu, ergo o sol, para de
novo cair queimado de ter
subido as escadas monótonas
tencionando o algo mais que
não tenho.
Sigo então sozinho matando
aqueles que dizem por dizer,
somente pela esperança de
encontrar no subir o deixar,
e não a queda.

23 de mar. de 2012

vergonha

No canto dos olhos surgiu uma coceira
que cresceu e desceu avermelhando o rosto.
E formado apenas de má vontade, as pernas corriam
para fugir do inevitavel destino.
Enquanto, como louco eu segurava a cabeça
puxando os cabelos, via uma imensa cortina
de varias cores embaçadas, ao inves da realidade.
Se a morte tiver de vir me buscar, que venha hoje,
estou cansado de ter que lutar por sobrevivencia,
quero o beijo dela e o descanso do descaso eterno.Morra-me, bem devagarinho pra eu poder me despedir,
pois assim, quem sabe alguém tem pena de mim?

19 de mar. de 2012

Dois Elementos

Canta o teu sorriso, como o sol
e seus raios tintilantes. O teu cheiro
Volupia-me a consciência ,e,
Caída de tudo, morro nos teus braços
Como gelo na quentura. Mede pois,
A distância para a lua e vê quão ínfima
É perante a água que me preenche de loucura.
Toca meu rosto de veludo.

6 de mar. de 2012

Passadas

Era do tintilar de toques
que caminhava as pernas,
como um cordeiro pronto
para ser queimado em braços
e abraços. Pensava de tudo
inclusive porquê pensava.
Vendo a razão quis o instinto,e,
amo-o mais, calou-se e morreu
por beijos gelados.

Metáforas


Pulei como pólen
toquei em néctars
e os sequei, tirando
a vida que ali havia,
apenas para o meu prazer,
eu matei a beleza divina
das flores.
Eu sequei em nome
da ansiedade todos
os sentimentos de meu
próprio existir, e te dei.
Você na onisciência soube
dos meus pensamentos futuros,
antes mesmo que eu soubesse.
Meu rosto brilhava feito ouro,
só da tua luz que em mim
refletia.
E nesse dia, era trevas,
seu rosto sério me angustiava.
De costas, sentia o vento
balançar meus cabelos, enquanto
via se distanciar tua morada
até afundar. Na água, porque
a terra já havia passado.
E de novo, em semente
espero desabrochar, e...

27 de fev. de 2012

Vi num teto

Pra você me decorar
Eu me fiz poema e metáfora,
Caí dos meus desejos
Caminhando na parede.
Tentei e forcei vermelho
Dos rostos, como o sangue dos frutos
Alumia os dias todos.

amor?

Beijei folhas, e vi rostos
Criei nomos, me vi Deus.
Mas, provei de outros cálices
O não de outras sensações.
Falar do que não existe
É difícil, mas pior do que
isso, é ser atriz dessa novela.

arhh,



Inspirado em Amanda P.

13 de fev. de 2012

texto poético

Duas gotas de amargura enraizaram vermelhas nos olhos apertados como uma erva daninha, e o cheiro que não sentia só crescia a planta. Ou arrancava os olhos, fazendo jus à natureza dela, ou mantinha o contato para o outro olhar não perguntar a origem da minha vergonha consciente. Na luz impaciente da incerteza perguntei, e a resposta me veio com o dobro de duvida, pesando os meus ombros. Preciso voar, mas um sorriso só me deixa um pouco mais leve.

4 de fev. de 2012

Pane

Sendo da caneta que sobrevivo
farei juz, contando o que me aconteceu
há 5 minutos e 41 segundos.
A noite flácida da monotonia
só refletia tédio. A boca cheia de alimento
mastigava sem compromisso.
Mas os ouvidos deram ordem
no resto dos sistemas, por causa
de uma harmonia vocal de cantos e encantos.
A pausa veredicta foi iniciada depois 
dos passos apressados e rumados até
uma outra pane.
Via uma deusa de cabelos negros e 
rosto sublime já rimada com 
as batidas ouvíveis do coração,
a respiração asmática prendeu-se
na coluna que já desmoronava
de calafrios psicologicos e fisicos
e do arco reflexo que dali também surgia
piscava sem padrão os olhos meus,
E do meu corpo presente abria a boca
como se fosse beijar o ar estalado dos passos dela.
Num pulo sem precedentes, ela me abraçou,
mas o meu voo foi maior,
não respirava mais, só sentia.




,shh

Tempóraria

A névoa que brota do chão
quando a beijo com os pés
em pleno inferno esferal
lembra-me a vida
e lembro-me também... que,
os beijos e abraços suplicantes pela vida, em fida,
continuam aflorados para a assassina
contínua da minha morte repetida.
Ando precipitado, enchendo os olhos
do que não há, para enganá-los
da fronte e o suspiro espiral
É então o medo da camisa 
que me mascara de humano
centripetando a consciencia
e me vestindo de ator
como os dias em um ano.




,oi

30 de jan. de 2012

Esse foi um segundo

Os passos sem ritmo
e sem harmonia, perambulam
sem saída num cubículo alucinado.
Com as mãos nos cabelos desgrenhados: Embaraçando-os,
o rosto de pupilas dilatadas caem líquidas na própria face descida de rubro.
E um olho no filete de corpo entre a porta e a luz, sussurra no meu ouvido o silêncio da minha escuridão.

17 de jan. de 2012

Respiro facas, vejo turvo, anseio louco

Não há forma alguma de cessar
esse sofrimento que fere vertical
como uma faca num ventre costurado?
não faço rimas, não tenho cabeça (devir)
apenas falo. E como gostaria de falar!
Sempre pensei que fosse na morte que conseguiria,
A forma perfeita está somente em ideia
e só dá para idealizar o quedepo
em circunstancias obtusas de vestígios
O amor é possível mas, ele é um xingamento
por isso não ouso tocar seu ouvido
com esse sentimento medíocre e estupido
No máximo, como apelido das consequências quedepares.


Digamos que um lobo pediu, porque outra pessoa pensou nisso




oi,

11 de jan. de 2012

Coral

Nos prazeres paladares,
foi onde te conheci.
Seu rosto nu de traças escondiam os olhos
com uma lente escura,
em ar mistério de praças.
Sua voz mesmo em embalo,
era dócil, meiga e arrastada,
como o próprio pecado atuando instigada.
Seu sorriso era um eco delicioso para minha retina,
me remetendo paisagens e sonhos na neblina.
Os cabelos alourados "tentacionava" pegar
assim como sua pele macia e branca como a neve
que não ousava tocar.
As marcas que de proposito ali estavam 
entre ideários, reflexões e mantras,
sua personalidade montavam
as tatuagens e as filosofias de molhos
que um dia pensei.








tchau...