Se fosse poucas vezes
Ou mesmo pouco o que saísse
Mas acontece que pouco é o que tenho
E arranca quase tudo em qualquer crise
Como a torturadora
Que mantém a vida por um fio
Mantém-me sobrevivido
Sabendo da minha incapacidade
De aguentar a pancada
De toda vida que crio.
30 de out. de 2014
29 de out. de 2014
Reivindico
Todo ser humano tem direito de ser amado.
Reivindico, pois, meu direito inalienável na minha condição de cidadão.
Poder executivo, legislativo ou judiciário, Deus, Deuses de qualquer que seja o lado.
Poder executivo, legislativo ou judiciário, Deus, Deuses de qualquer que seja o lado.
Não me interessa a quem me direciono com esses dizeres.
Quero resumido a carvão isso que de mim pesa, mesmo que a vácuo me encha.
Quero que, além de carbonizado, voem essas cinzas e me mantenha longe por tempo indeterminado dessa solidão que me assola
Quero que, além de carbonizado, voem essas cinzas e me mantenha longe por tempo indeterminado dessa solidão que me assola
- Infinita -
Sem medo de errar essa prevista duração.
24 de out. de 2014
Um toque que fosse
Que seja
Qualquer coisa que me faça perceber
Que sou além de uma simples consciência
Ou um pensamento solto
Uma alucinação já apagada
Ou um devaneio roto
Que seja
Qualquer coisa que me faça perceber
Que sou além de uma simples consciência
Ou um pensamento solto
Uma alucinação já apagada
Ou um devaneio roto
19 de out. de 2014
18.10.14
Teu corpo anda a andar por vielas negras
Envolta numa vontade de morte
Disfarçada, fora das frestas
Atrás de máscara
Apelando ao temor
E bem sei que
O meu amor
Não pode, diferente de mim
Dentro do teu corpo entrar
Espero, pois, uma esperança
Que não há de chegar
A minha passagem para os teus mundos
Onde estaríamos
Na medida do tempo
Simplesmente, juntos.
Dentro do teu corpo entrar
Espero, pois, uma esperança
Que não há de chegar
A minha passagem para os teus mundos
Onde estaríamos
Na medida do tempo
Simplesmente, juntos.
18 de out. de 2014
Deixe para amanhã
Deixe para amanhã essas obrigações
Deixe para amanhã esses desejos
Falsas tentações
Deixe para amanhã o amor
que de tanto amar, secou
Deixe para amanhã as minhas vontades
Pois são parte do que não sou
Deixe para amanhã o sono
Terás a eternidade para esse rumor
Deixe para amanhã a vida
Que anda de muletas, reprimida
Esperando sua hora fatal
Inúmeras vezes já assistida
Deixe para amanhã esses desejos
Falsas tentações
Deixe para amanhã o amor
que de tanto amar, secou
Deixe para amanhã as minhas vontades
Pois são parte do que não sou
Deixe para amanhã o sono
Terás a eternidade para esse rumor
Deixe para amanhã a vida
Que anda de muletas, reprimida
Esperando sua hora fatal
Inúmeras vezes já assistida
In our sky,
No pain
No rain.
Or is it in my eye?
No pain
No rain.
Or is it in my eye?
12 de out. de 2014
Skank
A noção de tempo para mim havia sido destruída.
E no final dos tempos
Na última frase de cada memória perdida
Havia seu nome.
Era minha esperança
A única. Dez mil vezes repetida.
Sumir
Meu coração parou de pulsar
As veias e artérias cessaram seu trânsito
Já aninham seu lugar para ficar.
Meu peito, recheado antes
De pulsares, mãos, toques regulares
Agora falece sem vontade de existir
Com um buraco insaciado
Na doença-dor
Esperança de bramir
Pelo meu medo
Essa sombra que nunca vai
Sumir.
5 de out. de 2014
No açude velho
Era uma viagem longa de bicicleta e eu já reclamava internamente. As nuvens estavam acinzentadas e pesadas, acumuladas de certo desespero, tudo estava frio e as frestas de sol que existiam eram para pessoas. Não me considerava um, eu era um amontoado de compostos orgânicos frágeis, já inertes se acontecentes ou não.
O vento, como nunca antes, me bloqueava. Nunca fora grande, sempre mirrado e pequeno, mas dessa vez ele me proibia de seguir, era um obstáculo. Pisei mais forte no pedal, minhas coxas doíam e a vida, pensava, era dura, rasgante, carrasca, um pedaço do universo que tem obrigação de escutar: Viva!
Desceu uma lágrima, duas, três. Não me aguentava quieto e tremia o queixo cambaleando a bicicleta.
Confundiu-me até se não era eu quem chorava a chuva que descia de não sei onde, de cima, de baixo, dos lados, de trás, de mim.
Forcei mais. Tinha raiva não sei o quê.
De repente, as coisas sumiram do meu campo de visão. A estrada que até então era de uma terra vermelha, vibrou-se dos raios solares, brilhou por assim dizer. Olhei para o lado e havia além de carros e pessoas sem rosto, esquecidas pelo tempo, flores, borboletas, pássaros que voavam pelo prazer de flutuar. Cores cada vez mais intensas, flutuações de pensamentos tolos porém bonitos, planos deixados para trás e que nunca retornariam, um passado inteiro como um mundo que ficava na estrada cinza que viajei. O açude velho, sempre tão podre em sua natureza, cintilava meu reflexo, das nuvens, do céu azul, da liberdade, de um calor.
Larguei um sorriso, com uma lágrima ainda no canto do olho.
O vento parou de me soprar tão intenso. A chuva não me rasgava mais atravessando meu corpo como agulhas, era um banho.
Soltei as mãos do guidom e abri os braços, respirei fundo. Não havia ninguém mais, só eu a estrada e o vento.
Era-me palpável e me sentia grande, majestoso, intenso.
Abri outro sorriso.
Tudo fora.
(Antares me falou, eu escrevi.)
3 de out. de 2014
Só mais uma
Eu ando assim meio distraído
De pensar-te nos meus braços
Eu entre tuas coxas
Absorto, primitivo
Perdido entre as tuas roupas
Num mar quente, exaurido
E me acordo do devaneio
Sempre tolo
Inutilmente vestido
De pensar-te nos meus braços
Eu entre tuas coxas
Absorto, primitivo
Perdido entre as tuas roupas
Num mar quente, exaurido
E me acordo do devaneio
Sempre tolo
Inutilmente vestido
Mas há outros
Tecnicamente
Só quem pode
Das minhas desgraças rir
Sou eu
Se gargalho
É porque há lágrimas
Prestes a sair
Montantes pedregosos de sal
Barulhentos
No meu ouvido a zunir
Só quem pode
Das minhas desgraças rir
Sou eu
Se gargalho
É porque há lágrimas
Prestes a sair
Montantes pedregosos de sal
Barulhentos
No meu ouvido a zunir
Que deves?
Falei com Deus hoje.
Não, não foi nada que pudesse ser percebido e eu fiquei realmente decepcionado com a falta de explosões.
Nada como hão de te falar: Em cima das nuvens, com grande pompa e glória; Estava de chinelos, uma túnica bem fora de moda e a barba por fazer.
Me olhou de cima a baixo, de baixo a cima, estalou a língua e disse em alto e bom tom: "Que queres?" .
Esperava, sinceramente, ter meus ouvidos estourados num banho de sangue, mas nada, respondi titubeando e tropeçando quando finalmente percebi quem estava ali: "Nada, só vivo".
Ele olhou para os lados apertando os olhos, franzindo a testa como se estivesse atravessando uma rua ao meio-dia numa cidade qualquer baseada no inferno, jogou os cabelos espessos para trás(aquilo deveria suar muito a testa, eram quase como dreads, mas mais finos) e disse inclinando o corpo para frente e falando mais baixo, quase sussurrando:"Que deves?"
Minha cabeça rodopiou. Girou entre pensamentos cada vez mais profundos e desconexos "O que eu devo? Para alguém? Eu sou alguém?". Coloquei a mão na testa como se para estacionar ou controlar as minhas reflexões, não adiantou, não devia nada financeiramente falando, mas deveria a alguém? Deveria fazer algo? Dever é sobre obrigação ou direito?
Agora ele estava com as mãos na cintura olhando uma serra, o trânsito lento, a túnica suja com uma marca de mão marrom. Olhou de supetão, virou a cabeça, me olhou fundo nos olhos. Ficou sério. Me deu medo.
Veio em minha direção e voltou a sorrir: "Que queres?"
Minha resposta dessa vez era diferente, comecei a formular, flexionar cada verbo da melhor maneira possível, mais clara, e continuei tentando explicar para mim mesmo como explicaria o que queria.
Enxugou a mão suja de novo na roupa e caminhou sem direção precisa, os braços começaram a evaporar, as pernas a pulverizar, percebi que Ele estava indo embora e gritei como podia: "Para onde vais!?"
Ele me respondeu com o que restava do rosto, sem olho e meia boca: "Lá."
Não, não foi nada que pudesse ser percebido e eu fiquei realmente decepcionado com a falta de explosões.
Nada como hão de te falar: Em cima das nuvens, com grande pompa e glória; Estava de chinelos, uma túnica bem fora de moda e a barba por fazer.
Me olhou de cima a baixo, de baixo a cima, estalou a língua e disse em alto e bom tom: "Que queres?" .
Esperava, sinceramente, ter meus ouvidos estourados num banho de sangue, mas nada, respondi titubeando e tropeçando quando finalmente percebi quem estava ali: "Nada, só vivo".
Ele olhou para os lados apertando os olhos, franzindo a testa como se estivesse atravessando uma rua ao meio-dia numa cidade qualquer baseada no inferno, jogou os cabelos espessos para trás(aquilo deveria suar muito a testa, eram quase como dreads, mas mais finos) e disse inclinando o corpo para frente e falando mais baixo, quase sussurrando:"Que deves?"
Minha cabeça rodopiou. Girou entre pensamentos cada vez mais profundos e desconexos "O que eu devo? Para alguém? Eu sou alguém?". Coloquei a mão na testa como se para estacionar ou controlar as minhas reflexões, não adiantou, não devia nada financeiramente falando, mas deveria a alguém? Deveria fazer algo? Dever é sobre obrigação ou direito?
Agora ele estava com as mãos na cintura olhando uma serra, o trânsito lento, a túnica suja com uma marca de mão marrom. Olhou de supetão, virou a cabeça, me olhou fundo nos olhos. Ficou sério. Me deu medo.
Veio em minha direção e voltou a sorrir: "Que queres?"
Minha resposta dessa vez era diferente, comecei a formular, flexionar cada verbo da melhor maneira possível, mais clara, e continuei tentando explicar para mim mesmo como explicaria o que queria.
Enxugou a mão suja de novo na roupa e caminhou sem direção precisa, os braços começaram a evaporar, as pernas a pulverizar, percebi que Ele estava indo embora e gritei como podia: "Para onde vais!?"
Ele me respondeu com o que restava do rosto, sem olho e meia boca: "Lá."
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