Eu tenho saudade do tempo que achava fios de cabelo na minha roupa e eram sempre seus.
Eu tenho saudade da agonia que passava ao me afogar nos cabelos sempre emaranhados e cheios de um castanho, e que sofria essa agonia porque era o preço a se pagar pelo teu corpo junto do meu.
Eu tenho saudade das discussões que nunca tivemos, das brigas que não aconteceram e de consertar o remendo sem estar quebrado.
Eu tenho saudade de como eu te olhava cansado, com sono, e queria deitar ou deitar-te no meu colo ou no teu.
Eu tenho saudade de como esse Sol imitava, sem êxito, os teus olhos. Primeiro por ser um, segundo por não estar em você.
Eu tenho saudade de ouvir meu coração bater, e saber que estava vivo.
Eu tenho saudade de como a sincronia lida em artigos e textos científicos se comprovava quando se igualavam os batimentos cardíacos.
Eu tenho saudade da maneira como você me beijava, sempre pela primeira vez, outras em segunda.
Eu tenho saudade de como conversava por horas e de como sentia falta se você atrasasse minutos para o nosso encontro diário.
Se me perguntar se estou, estive viciado em você, eu diria que não sei e é isso o que me para: uma dúvida. Duas dúvidas.
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