28 de mai. de 2014

Concreto

Parece que a poesia é uma entidade e desce em você,
mas não toma o corpo e lhe manipula como faz à música das rimas,
ela desce em luz,
uma aura estonteante,
fazendo tudo convergir
ou conspirar ao teu favor
num simples sorriso.

Os cabelos molhados,
a vergonha de falar
e de escapar dos meus olhos
penteando para a direção que possa me bloquear.
Não faz isso, a vida é curta e nosso amor mais curto ainda.

Vem,
me ama,
me deseja,
me respira,
me mastiga enquanto é tempo
e temos tempo.

Vem,
me toca,
macia e simplesmente,
bilhões de vezes.

Para cada pessoa, eu lhe encontro nos meus próprios lábios num vocativo com o seu nome.
Mas o que eu quero é você na minha boca.
Calada.
Poema concreto.

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