24 de dez. de 2013
Obra do meu Amor.
Ah! esse ciume tolo!
envenena a alma(se tivesse uma)
corrói como o ácido mais ico possivel
e sustenta um amor encapuzado, substantivo, relaxado
"pois é mister que para o amor sagrado"
apenas, contudo, com tudo se amem sem acento
num mundo de português culto,
que sejamos coloquiais.
Feliz natal
É natal é natal nos hospitais e penitenciárias
é natal nas poucas chaminés
na neve que por sinestesia vejo e sinto
nas roupas verdes, vermelhas e douradas
é natal das músicas que os carros passam das avenidas
nas portas, casas e janelas
é natal no Chester
nos abraços de final de ano tão falsos quanto esse natal.
Não há natal. Há tristeza e hipocrisia.
Nos presentes que (não) somos obrigados a dar à queridos amigos e familiares
só me conforta o fato de que tudo finda.
Eu, esse natal.
Não mintam, não há natal.
é natal nas poucas chaminés
na neve que por sinestesia vejo e sinto
nas roupas verdes, vermelhas e douradas
é natal das músicas que os carros passam das avenidas
nas portas, casas e janelas
é natal no Chester
nos abraços de final de ano tão falsos quanto esse natal.
Não há natal. Há tristeza e hipocrisia.
Nos presentes que (não) somos obrigados a dar à queridos amigos e familiares
só me conforta o fato de que tudo finda.
Eu, esse natal.
Não mintam, não há natal.
Quando morrer
Quando eu morrer não esperem enterro,
velório,
lápide,
rezas,
orações,
lágrimas,
não.
Não quero isso.
Doarei meu corpo, mas não a outros corpos.
Serei útil, uma vez pelo menos. Ao menos depois de morto tenho que servir.
velório,
lápide,
rezas,
orações,
lágrimas,
não.
Não quero isso.
Doarei meu corpo, mas não a outros corpos.
Serei útil, uma vez pelo menos. Ao menos depois de morto tenho que servir.
15 de dez. de 2013
O tempo não para.
Podium maldito, de que adianta chegar se não há festividade?
Minha raça é vasta, estamos em todos os lugares,
mas por ser quem somos, só a roupa molhada nos representa.
Decepção, tristeza, tudo é tão inútil,
é tao passageiro e rápido que prefiro assistir as cenas que participar.
E como há alguem's, que realmente o são,
me importo porque me deixa aos poucos, cada dia mais,
progressivamente, com ou sem razão.
Talvez seja por isso mesmo, porque sou ninguém, nada,
uma casca para vácuo, uma única glândula na posição fetal.
Minha única vontade é ser transcendente,
mas como, se minha condição é de perpétua convalescênça nessa solidão?
Minha raça é vasta, estamos em todos os lugares,
mas por ser quem somos, só a roupa molhada nos representa.
Decepção, tristeza, tudo é tão inútil,
é tao passageiro e rápido que prefiro assistir as cenas que participar.
E como há alguem's, que realmente o são,
me importo porque me deixa aos poucos, cada dia mais,
progressivamente, com ou sem razão.
Talvez seja por isso mesmo, porque sou ninguém, nada,
uma casca para vácuo, uma única glândula na posição fetal.
Minha única vontade é ser transcendente,
mas como, se minha condição é de perpétua convalescênça nessa solidão?
12 de dez. de 2013
Mais um pedinte
Nada paga o sorriso que ele me deu, quando lhe perguntei o nome (com dois reais numa mão).
Além de pedinte ele deveria ter algo mais, talvez até ser humano. Sujo como nunca havia visto nem tocado, mas existia como eu e passava despercebido. A tristeza logo se transformou em raiva e tiros de palavrões e ameaças, mas o entendo, foi descriminado na frente de todos, humilhado, e ninguém sequer ergueu uma palavra para defendê-lo.
Um José que não era marceneiro, nem branco, nem pai de salvador, dono apenas da fome que insistia em não pagar o aluguel nem ir embora como inquilina do seu corpo.
Ser altruísta uma vez não basta, e uma andorinha só não faz verão.
Além de pedinte ele deveria ter algo mais, talvez até ser humano. Sujo como nunca havia visto nem tocado, mas existia como eu e passava despercebido. A tristeza logo se transformou em raiva e tiros de palavrões e ameaças, mas o entendo, foi descriminado na frente de todos, humilhado, e ninguém sequer ergueu uma palavra para defendê-lo.
Um José que não era marceneiro, nem branco, nem pai de salvador, dono apenas da fome que insistia em não pagar o aluguel nem ir embora como inquilina do seu corpo.
Ser altruísta uma vez não basta, e uma andorinha só não faz verão.
25 de nov. de 2013
Cada vez
A corrente sobe
O dedo toca o botão
Mais um minuto perdido.
Em paz é solidão;
Há algo de mel, denso, preso à minha pele
Que todo esforço é inútil para provar
mover
tirar
Não me sinto, não me conheço, num falso falso precisar
Mas talvez seja peçonha e nisso meu temor é descobrir.
O dedo toca o botão
Mais um minuto perdido.
Em paz é solidão;
Há algo de mel, denso, preso à minha pele
Que todo esforço é inútil para provar
mover
tirar
Não me sinto, não me conheço, num falso falso precisar
Mas talvez seja peçonha e nisso meu temor é descobrir.
23 de ago. de 2013
Passado. Presente. Futuro.
Longilíneo e escuro como a noite que clareia
De dutos corpóreos putrefactos do esforço
Que não vinga
Eu, filho de um morto, ando os mesmos passos
Como uma cópia
Temendo o mesmo fim inevitável
Contornando o túmulo em voltas inebriantes
Onde um dia me deitarei, finalmente
Tornando minha saga um único desejo realizado.
Que esperas tu para deitar?
E de felicidade entendo tudo aquilo que não achei,
Não provei.
Esse é o fim da minha procura.
E como mensagem a quem um dia me acalentou
Digo de olhos fechados, mentira.
Fechando devagar, respiro.
Te olho somente nos olhos, meu único contato, e falo:
"Não sois minha, bem queria, mas essas são as veias
Que dilatasse e o suor que de mim pinga, é tua causa"
É menos que corpo o que sinto - um vendaval,
Um mar de tontura, um estilhaço de bomba e lá estou eu
Dentro de um olho sem esperar sair e sem saber como.
É menos que corpo, com certeza.
Ou não.
Nunca decidi.
Na verdade, nem sei se devo.
De dutos corpóreos putrefactos do esforço
Que não vinga
Eu, filho de um morto, ando os mesmos passos
Como uma cópia
Temendo o mesmo fim inevitável
Contornando o túmulo em voltas inebriantes
Onde um dia me deitarei, finalmente
Tornando minha saga um único desejo realizado.
Que esperas tu para deitar?
E de felicidade entendo tudo aquilo que não achei,
Não provei.
Esse é o fim da minha procura.
E como mensagem a quem um dia me acalentou
Digo de olhos fechados, mentira.
Fechando devagar, respiro.
Te olho somente nos olhos, meu único contato, e falo:
"Não sois minha, bem queria, mas essas são as veias
Que dilatasse e o suor que de mim pinga, é tua causa"
É menos que corpo o que sinto - um vendaval,
Um mar de tontura, um estilhaço de bomba e lá estou eu
Dentro de um olho sem esperar sair e sem saber como.
É menos que corpo, com certeza.
Ou não.
Nunca decidi.
Na verdade, nem sei se devo.
25 de mai. de 2013
Um dia desses, no meu mundo.
Num mercado comum, pensava poucas coisas, andava rindo de piadas que nem escutava, mas estava feliz, apaixonado, procurando agradar o motivo da minha alegria, ainda assim, não era completo, faltava um pedaço de mim em cada coisa, não me sentia completo porque não completava nada, ninguém.
Forcei um beijo, os lábios se tocando sem querer, nenhum dos dois, um abraçado também forçado de dedos entre as costelas e aquele calor insípido, as piscadelas de olho com dúvida do que acontecia do medo que o futuro lhe aguardava, pessoas entre si, olhando, desviando e querendo olhar sem interferir. Mas o infindável algo que não poderia existir aconteceu e o calor por sinestesia do abraço ganhou um gosto, o beijo se tornou mais leve, e nos dentes a sensação mole e quente da língua invadiu, uma trança de sensações e explosões uniu-os num, a dimensão temporal deixou o espaço pequeno e por isso dois outros braços se envolveram, espirando, torcendo tudo que havia e importava, um voo magnífico um ar sem respiração, mas vivo, mais vivo por causa disso.
Então um outro toque, esse agora, frio e fatal, matou uma das melhores sensações que tive - "Desculpa, senhor, com licença..."
15 de mai. de 2013
Odeio minha casa
Sob emoções que resumem minha condição física e emocional agora,
esclareço que a todos que um dia me falaram sobre um momento,
é desse momento que me compreendo agora.
Não é necessário explanar o porquê ou o que,
não é necessário, pois meu rosto, se visível agora,
seria perfeitamente entendível o que quero dizer.
Mas da mesma forma como não é importante as sensações alheias,
me sinto atingido por esse turbilhão que achei que não atingia muros de metal,
muros de jardas e meia. Muros. Muros de orgulho.
esclareço que a todos que um dia me falaram sobre um momento,
é desse momento que me compreendo agora.
Não é necessário explanar o porquê ou o que,
não é necessário, pois meu rosto, se visível agora,
seria perfeitamente entendível o que quero dizer.
Mas da mesma forma como não é importante as sensações alheias,
me sinto atingido por esse turbilhão que achei que não atingia muros de metal,
muros de jardas e meia. Muros. Muros de orgulho.
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