22 de abr. de 2015

Crônicas de ônibus

Não, todo esforço era inútil. 
Tentei, juro que tentei focar em outra coisa, 
Mas não. 
Era impossível controlar a imaginação.
Sonhei, de olhos abertos e bem abertos, 

No corpo despido 
Todo aquele movimento no compasso do que me faria entrar
Na voz, que muda, me convidava para tocar
E no sono que deixaria para o outro dia

Da noite que girava
Acesa, em brasa, vermelha em tudo o que existia
Em tudo isso,

Escondia com a mão minha boca que sorria

Não me interesso por esses teus olhos

Não me interesso por esses teus olhos

Quando no silêncio inexato
E na palidez ainda seca da cama
Sinto a premissa do beijo roubado
E a trépida mão que como um outro ser, ama.

Nesses momentos, teus olhos são inúteis
São matéria homogênea da escuridão
Nesses momentos quero abraçar-te 
Como quem rouba sem visão.

Inveja minha à parte

Teus olhos são uma noite  
E é dessa inveja que insisto em mentir de antemão.