11 de mar. de 2015

Ela olha para trás quando eu vou embora

E todas as vezes que ia embora e olhava nas olhadelas hollywoodianas o objeto de meu intenso desejar, vontade de vida e constante desespero, esperava com a ponta de esperança que resta das guerras internas, que olhasse de volta e em todas essas vezes, seus olhos, grandes e quase hipnóticos, me fitavam, me pediam a volta, o beijo que sobrou na minha boca.
Quando dessas vezes mencionada, o embrulho comumente das doenças do espírito, dessas que não se quer a cura, tomava-me o branco da face e deixava, como seria de se esperar, o vermelho incandescente. Gritava o silêncio no ar, sabia que amaldiçoado que sou, nunca e em nenhuma hipótese morderia o último pedaço.

Ela não é como hão de pensar
Só uma mulher
O desejo encarnado, revirado e adocicado
Tê-la pelo segundo que fosse
No beijo que desse
No toque em prece
Na vontade que viesse
Seria sorte.

Ela é a quintessência de qualquer vida e o motivo claro de qualquer morte.

Nenhum comentário:

Postar um comentário