Sei que confiar nos olhos avessos do leitor nunca é uma boa notícia.
Isso significa que os endireitados não servem, ou não existem. Chegando a uma única conclusão: Estou a sós no espaço com o teclado, o café que não tomo, a cadeira desconfortável e o sono que tenta me vencer a duras custas, mas me vence impreterivelmente às duas da manhã.
Não que tenha esquecido, só deixei de mencionar que a contagem está incompleta.
A matemática é um ciência exata, o conjunto vazio é mais um.
Se não cortasse o corpo, ou lembrasse dos tempos idos de infância poderia jurar que dentro dos dedos que tecem o texto, havia um. Ou pelo menos nunca me disseram que dói e é vermelho.
No final das contas, somos uma finidade de números, uma contagem esquecida, a inutilidade.
E eu, apressado e precoce, consegui o que as crianças querem, ficar adultos. Mas fui além, me tornei velho, tudo isso sem que a dimensão tempo sequer pensasse que estivesse acontecendo.
Uma alma velha, me disseram uma vez. Preferiria não ter escutado, foi para mim o veredicto final, eu fui reduzido à velhice prematura, fui enforcado aos cem no cordão umbilical.
Poderia dizer: nunca mais fui o mesmo. Mas a bem da verdade, sempre o fui.
Um velho, vazio e seco, magro como haveria de ser, com a vida por viver.
És saudável bonito, me dizem.
E eu lhes retruco, tenho alma vazia.
Se és vazio, hás de ser preenchido!
Sou completo e abarrotado de mim mesmo a primazia.
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