26 de mar. de 2015

Luto.

Aquele funeral levou para as profundezas hadínicas não somente ele, mas eu também me senti enterrado e esquecido
Jogado para as ventosas mínimas e esfomeadas
Centenas delas
Rodeadas e me enamorando
Roçando aos poucos a epiderme
Minha, dele. 
É noite na terra, no fundo, no céu, em mim. 
Tudo chora, tudo me amortece a morte. 
É como se minha existência fátua fosse chama sobre água.
Não se sustenta.

22 de mar. de 2015

Último cigarro

A brasa que come o tabaco
Que transforma o tabaco em fumaça
E da fumaça, quietude, desgraça
Do amor que tive foi esse fogo sem chama
E morto, destruído em silêncio como foi criado
Esmagado, aborto pisado.
Cada gota de suor descido ou imaginado
É uma letra no papel, dos beijos frases
Das memórias imagens...
Nos teus silêncios sou teu
Enraizado e suprimido
E eu confidente invicto
Escuto calado do quanto tal quem é ruim
Ricos dizeres
Sentimentos mastigados
Turbulentas tempestades
Anéis de casados

Tudo o que deveria ser por mim! 

11 de mar. de 2015

2:00

Sei que confiar nos olhos avessos do leitor nunca é uma boa notícia.
Isso significa que os endireitados não servem, ou não existem. Chegando a uma única conclusão: Estou a sós no espaço com o teclado, o café que não tomo, a cadeira desconfortável e o sono que tenta me vencer a duras custas, mas me vence impreterivelmente às duas da manhã.
Não que tenha esquecido, só deixei de mencionar que a contagem está incompleta.
A matemática é um ciência exata, o conjunto vazio é mais um.
Se não cortasse o corpo, ou lembrasse dos tempos idos de infância poderia jurar que dentro dos dedos que tecem o texto, havia um. Ou pelo menos nunca me disseram que dói e é vermelho.

No final das contas, somos uma finidade de números, uma contagem esquecida, a inutilidade.
E eu, apressado e precoce, consegui o que as crianças querem, ficar adultos. Mas fui além, me tornei velho, tudo isso sem que a dimensão tempo sequer pensasse que estivesse acontecendo.
Uma alma velha, me disseram uma vez. Preferiria não ter escutado, foi para mim o veredicto final, eu fui reduzido à velhice prematura, fui enforcado aos cem no cordão umbilical.

Poderia dizer: nunca mais fui o mesmo. Mas a bem da verdade, sempre o fui.
Um velho, vazio e seco, magro como haveria de ser, com a vida por viver.

És saudável bonito, me dizem.
E eu lhes retruco, tenho alma vazia.
Se és vazio, hás de ser preenchido!
Sou completo e abarrotado de mim mesmo a primazia.

Ela olha para trás quando eu vou embora

E todas as vezes que ia embora e olhava nas olhadelas hollywoodianas o objeto de meu intenso desejar, vontade de vida e constante desespero, esperava com a ponta de esperança que resta das guerras internas, que olhasse de volta e em todas essas vezes, seus olhos, grandes e quase hipnóticos, me fitavam, me pediam a volta, o beijo que sobrou na minha boca.
Quando dessas vezes mencionada, o embrulho comumente das doenças do espírito, dessas que não se quer a cura, tomava-me o branco da face e deixava, como seria de se esperar, o vermelho incandescente. Gritava o silêncio no ar, sabia que amaldiçoado que sou, nunca e em nenhuma hipótese morderia o último pedaço.

Ela não é como hão de pensar
Só uma mulher
O desejo encarnado, revirado e adocicado
Tê-la pelo segundo que fosse
No beijo que desse
No toque em prece
Na vontade que viesse
Seria sorte.

Ela é a quintessência de qualquer vida e o motivo claro de qualquer morte.

9 de mar. de 2015

Nossas opiniões divergem em tantos aspectos quanto se é possível contar, mas ele me inspira e o admiro. 
Mesmo que ele não tenha feito nada, as circunstâncias me afastam para um lugar distante daquele que me abrigava quando tinha sono e eu era bebê.
É o mesmo clichê de sempre.
Os dois que só tem carinho no dia especialmente feito para compartilhar desse afeto, um dia que carrega o nome genérico, pai.
Mas hoje foi um dia especial. 

Eu o percebi. 
Não por algo que fez, mas por quem é.
Eu me orgulho do meu pa
i
Estou cansado.
O tempo me passou a perna - Não sou imortal.
Meu corpo reclama em suas tão altas e agudas dores
E a grosseria, arrogância, características tão suavemente eufemizadas nessas palavras, são só um verso do que escuto nos estalidos e tremores.
Quantas vezes imaginei tua barriga
Colada a minha
Sentindo um outro coração
Vê-la crescer como quem rega
E esperar sem pressa
Como os gêmeos serão?


Ah como eu odeio te querer,
Te sonhar a noite ou acordado
Planejar futuros certos
Novos ou velhos
Tudo ao erro fadado