30 de set. de 2014

Quando estou calado

Não penso muito mais
Não mais do que você
E meu corpo anda a espreitar-te
Por entre becos de pensamento
De profundo desespero 
Ou esperado momento 
Onde hei de refletir como quem é por merecê-lo
O dia que teu corpo há de me cobrir
E na tua boca haverá meu nome a sorrir 
A noite para acabar meu pesadelo.
Fazer-te feliz
Ficava por estar a te fazer alegre.
Se fiz diferente do que se faz 
Foi tua a culpa de transformar 
Em mais fina tua foz
Que forte desembocava fiel
E ferrenho era nosso fazer
De feitio sempre firme.


(brincando de escrever)

23 de set. de 2014

Tapa-buracos

Comigo dentro ou fora
Entre prazer e euforia
Era eu a vasculhar-te toda
Em volta
Entre conversas e melancolia
Eu a dialogar, discutir tudo que me assola.

Estava, pois, a cobrir-te como um cobertor
Não tinhas um, nem a mim sem pudor
Me fizeste cego por uma porção de vezes
E bem queria que assim continuasse
Mas me jogaste num mar de mortos
Onde a água sangra
Sangue podre, empretecido
Onde é igual a dor 
E tudo o que existe é o mesmo que o anterior
Onde me deixaram ao ar livre
Ar fresco, me disse
Ar gelado, retruco
E no fim, nem respirar consegui.
Sem esperança, morri.

Por que céus, a decepção?

Vinde castigo
Que a morte é fuga
E já dançou comigo

Vinde paixão
Que das torturas
Essa é a pior opção.

22 de set. de 2014

Não quero que vá.

Mas
Do que você lembra de mim
Daquilo que me tem de conhecido
De tudo o que acha que fui, sou
Lembre-se como minha última palavra
E que martele dentro do que não quebrou
Quero Rosas
Rosas negras
Pretas e vermelhas.
No enterro que não acontecerá
E no funeral que não quero que vá.
Rosas negras, rosas, pretas, vermelhas
Todas em cima de mim
Me esperando no além-mundo
Da minha esperança hipócrita
Pois tal, não há.

22.09.14

Minha cabeça dói sangues coagulados
Não ando como antes
Há sempre algo que me persegue
Alguém, até talvez, cercado
De noite, como um albergue.
Me confundo comigo próprio
E até minha voz não se encaixa
Uma paranoia.
Não vou aguentar muito tempo.

20 de set. de 2014

Quando cheguei perto
Meu coração batia 
Não estava morto
E dessa vez eu sabia.

Me deseje sorte

Me deseje.
Me deseje sorte ou qualquer outra coisa
Que meus passos não são seguidos
Não sei para onde vou
Com meus pés já doloridos
De correr, andar descalço
Sem ter guia
Muito menos amigos.
Sem ter com quem contar
A começar pela sola
Já estou destruído
Ao procurar o que não se acha
Andando, correndo em círculo
Em volta de mim mesmo
Sem me tocar
Tangenciando
Meu inalcançável objetivo.

19 de set. de 2014

Única vez

Quando finalmente entrei, expirei
Um grito baixo, quase inaudível, soou.
As forças que tinha para defender
Eram destruídas, forçadas ao suicídio
Comidas sem o menor rancor

Em ritmo crescente de cansaço
Sem muito esperar beijava
Roía tuas coxas
E para meu mundo te roubava

Sem saber que nele

Já preparavas meu túmulo
Com nome, data de jaz
E cova rasa.

18 de set. de 2014

Numa noite.

O sutiã desceu leve como a minha mão a descobria
As costas nuas de nuances monocromáticas
Pela noite cinzenta de cigarro e sombras
Traduziam-me um momento
De insinuação muda, surda
Que me recobrava o que tanto pensava
O toque, o beijo, a voz, a fuga.
Mas
Não te ouvi dizer
Não escutei teu querer
Se falou, não faça-me esquecer
Se buscou, não desista de fazer!
Pois
Se não percebeu
Por uma timidez
Desejo você.

15 de set. de 2014

Que o mundo nus deixou

Venha
Que o mundo lá fora é frio
A esperança jaz
E o amor secou

Venha
Que te trago
Te instalo
E me refaço
Pelo teu calor

Venha
Que te quero
Te abraço
Te espero 

Venha
Sentir o desfazer do mundo
Pelo meu fervor
Porque o mundo

Nus deixou.

14 de set. de 2014

Culpa social

Desculpas para mim não existem.
Ponto.
O que faço quando peço perdão é me perdoar por ter lhe machucado
Acho que por isso, há algum tempo já, não falo mais tanto quanto antes
Pois sei da finês da minha língua 
De mim como carrasco
Do tanto que já sei mais sobre você que você mesmo
Acho também que é por isso que ando mais calado e não tenho feito tantos amigos
Os que crio, imaginários ou não, afasto
Os que já tinha, machuco
Ando calado pelas tempestades que já borbulham e trovejam barulhentos em mim
Tanta coisa grita que não sei mais o que escutar
As vezes, é uma questão de pensar
Sinto culpa pelo que reflito
De saber o porquê.

Pathos.

Patos é uma cidade quente, infernal, cheia de demônios, mas tudo isso mora num lugar infinitamente pequeno para o tamanho dela:
O espaço e o tempo entre uma batida e outra
no intervalo do espancamento diário do coração sobre nós.
Sem dúvida ele me odeia
não há um só momento em que
perto de você
ele me acaricie.
São pancadas fortes
impiedosas
cheias de algum sentimento abarrotado
e saturado de si mesmo.
Uma esperança tola e coletiva
véspera do ressurgir masoquista
a que todos chamam Paixão.


Inspirado em conversas e constrangimentos com Guilherme Hell.

13 de set. de 2014

Do gênio que já somos

Se ser gênio é uma condição dos incompreendidos
Loucos
Superos
Todos temos potência de sê-los
Somos loucos à nossa maneira
Incompreendidos até por nós mesmos
E quanto a supería
É só ser melhor do que o Bem
Transplantar nosso cérebro, nosso eu
Para o futuro, nós mesmos daqui a tempos
Só nos falta saber que a capacidade existe
Que somos
Que sempre 
E sempre
Podemos
Pois traçamos nosso caminho segundo os Outros
Por que então não Sê-los?
Fazer-se ser seguidos?
Nós já o somos a bem na verdade
Só nos basta sabermos.

5 de set. de 2014

A(r)mado.

Lembro do que não olhava e de como não me sentia
De não existir, disso realmente eu queria.
De olhar esperançoso para o tempo
Esperando que ele não me cobrasse,
O que dele eu gastava
De esperar que esse bastardo
Ousasse minha natureza
E fizesse do meu orgasmo Um
E não uma brado.
Completo.
Teatro.
A(r)mado.

04.09.14

Vou terminar por me matar
Concluir umas poucas promessas feitas
E acabar.

4 de set. de 2014

Sabe?

Uma saudade corrosiva sabe?
Uma vontade de pular no pescoço
E como um cão faminto e raivoso
Beijar da cabeça aos pés
Cada um dos centímetros cruéis 
Que compõem a música que insiste em rufar 
Quando os meus tambores a bradejar
Discutem com os teus essas peças de encaixar.



04/09/14 - 01:40 a.m