27 de jul. de 2014

Doce como Suspiro

De encher o vento de substância pesada
E sair mais sujo do que entrou
É ilusão pensar que desgasta o que sufoca
Porque não acontece, se volta.

Recupera o fôlego de si mesmo

Cansado a repetir o mesmo ciclo
Queima cachaça a garganta
Consome o pensamento a esmo.

11:38

26 de jul. de 2014

Culpa

Eu não tenho culpa se sinto saudade 
Não tenho culpa se amo

Minha solidão é a sozinhez em que me guarda

Que de triste me chamo

Se me faz feliz é quando sou-te

Se me fiz feliz é que fui-me
Seu, meu, nosso.



Inspirado nas vezes que a noite tive.



17 de jul. de 2014

Suor

Meu sarcasmo ácido
Minha vontade carrasca
Meu querer drástico
Mas eis que você vem
Básica 
Destrói minha auto-destruição.
Das sobras na sala
Vem o suor

De você

Se muito, me queima
Se pouco, me queimo
Se medida, engulo-te

7 de jul. de 2014

Pedaços de mim

Minha mão se recusa a escrever.
O sacrifício que faço agora para desenhar pensamentos
É maior que a dor do parto
Sai de mim como um vômito
Um feto maldito
Ainda assim, um sofrimento mascarado.
Um rasgo de sangue que como qualquer morto que cai
Não tem onomatopeia diferente
Espalha suas entranhas sujas e tinturadas no papel
No baque do risco quente.
E de lá não mais sai
Prefere o meu rosto opaco e seco de papel
Ao meu rosto de sombra, transparência e fel.

6 de jul. de 2014

Passado louro

Desestabilizado
Caído
E por demasia
Amado.
Com tudo acabado
Nada mais sou
Que o antigo prazer
Saciado
Um brinquedo que por sorte
Ainda não está quebrado.

06/07/14 - 10:38 p.m

Iota

Minha insegurança é por não estar aqui; Eu no espaço.
Quando você sai, o chão físico e frio se desdobra, se envolta como uma roupa, e em você, nua como estava, veste.
Mesmo pedindo e implorando, você não me ensina a voar, promete.

Como fico eu a cair?
Eternamente, lhe digo, é uma certeza.

É graças que todo infinito tem seu fim
E minha queda causa tua acaba num beijo
No suspirar do futuro
Nos sonhos repostos na mesa
           refeitos
           ruminados
                    pensados e inacabados

De mais gargalhadas a rir
De mais temores a sentir
De mais beijos a vir
De mais a permitir
De mais a ir
De mais
Mais
I.


00:37 - 05/07/2014
Eu sou o que quero ser 
A vontade de ser o que quero 
Sem sê-lo
Mas o sendo desde agora

Eu sou o máximo do que se pode existir

E a menor das partículas
Eu sou a construção do mundo
E a sua destruição

Eu sou o mundo
O medo de ser
A maior força
A superação

Eu sou o ódio de todos
Eu sou a sua vontade
Eu sou o seu poder
Eu sou a sua amargura
Eu sou a sua tristeza

Eu sou-te

Em felicidade ou raiva
Em qualquer você que paira.

Lembre-se das estrelas

Não olhe pro futuro
Ele é malvado

Há muito mais poesia
Nisso que te dou
E no que te dão
O presente

Não te tortures com as lembranças que ainda virão
Pois elas ainda não vieram
E mal sabes que nem sabes se assim serão...

Só te preocupe no aqui e no agora
Sem o peso do tempo ou do espaço
Onde você pode ser feliz
Quando podes sorrir

Mas se nada disso funcionar
E estiver profundamente triste
Olhe para cima.

Lembre-se das estrelas.





24/06/14