21 de jan. de 2015

Depressão

Ela é como uma onda. 
Quando lhe dá a chance de respirar, cobre de novo com o véu frio e preenche seus pulmões, te impede de fugir, levantar, sair.
E mais uma vez, as forças que pareciam esgotadas ressurgem e como num nascimento, a cabeça rompe a resistência do que existe acima.
Ah! o primeiro respirar!
Mas é ela quem lhe mantém, afinal, é o empuxo que faz o corpo boiar.
Quando finalmente, a praia lhe alcança, é a areia que lhe impede de andar, pesada que é, quente como o sol e brilhante demais para os olhos acostumados com a escuridão da zona abissal.
Depois de seco percebe que além do que a visão escrava lhe dava, com os olhos para baixo, existe o Sol em sua magnitude, imponência, e ao coitado, impotência.
É então que a água promete o alívio das costas nuas, o beijo molhado, o corpo tocado, o conforte dos ouvidos libertos, na ausência dos sons verdes, agudos. 
Nisso tudo o vai e vem como uma dança, a tentação de tê-la, e a dela em tentar, me fazer dançar.

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