Quanto desejo por não
corresponder foi
desperdiçado, vontade
ígnea que por outros
não foi derramado.
Se viver é ser feliz,
já não sou mais torturado,
pois estou morto.
E o frio que tece
o corpo, padece na
mesma música d'um
calor inteligível,
sintetizável, irredutível.
2 de out. de 2012
Imitação
Vi um urubu, em sua recolhida solidão. Andava cabisbaixo, corcunda à procurar restos sobreviventes.
Ainda bípede, um homem imitava-o. As mãos para trás tal qual asas prontas para recuar, mas esse não retrocedia, avançava as suas no que visse de opaco ou brilhante, e metia com infinita voracidade na boca. Não sentia gosto, não havia tempo, engulia como se fizesse o papel da saliva. Andava desviando, sem olhar, os cacos de vidro ou espinho, talvez nem mesmo ele soubesse que o pé, impenetrável, fazia esse papel.
Me assustei. Nunca vira tamanha aptidão para atuar.
Ainda bípede, um homem imitava-o. As mãos para trás tal qual asas prontas para recuar, mas esse não retrocedia, avançava as suas no que visse de opaco ou brilhante, e metia com infinita voracidade na boca. Não sentia gosto, não havia tempo, engulia como se fizesse o papel da saliva. Andava desviando, sem olhar, os cacos de vidro ou espinho, talvez nem mesmo ele soubesse que o pé, impenetrável, fazia esse papel.
Me assustei. Nunca vira tamanha aptidão para atuar.
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Minha caneta já está
suja e arranhada das
guerras que contei
das bombas que listei
dos males encontrados
dos amores que acanhei.
Das curas sem desejo
e os sem cura buscados,
mas desço do pedestal antigo
para ouvi-la e senti-la
do lado do meu inimigo.
suja e arranhada das
guerras que contei
das bombas que listei
dos males encontrados
dos amores que acanhei.
Das curas sem desejo
e os sem cura buscados,
mas desço do pedestal antigo
para ouvi-la e senti-la
do lado do meu inimigo.
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