27 de dez. de 2011

Normalmente

Enquanto a mão lapidada descia como água,
veio na mente a tua, lascada e tosca, igual a teu beiço,
quebrando o encanto da Afrodite desleal.
Ela me faz o que quero, e o que não peço
já tu, nem o que te pedia virava real.
Os beijos e enlaces carinhosos é surpresa avante
mas na outra é triste.
O meu sorriso é alegre com a lua minguante
contigo a lua é nova, em quase todos os casos
Porém, te amo.
Você, e outras quatro.

23 de dez. de 2011

ainda sem titulo - 2° Capítulo

Poucas coisas




Eles acabaram por me transferir um medo sem sentido, que me fez não agir por um curto período de tempo, até porque o próprio barco estava me substituindo como capitão e fazendo o trabalho dos marujos, içando as velas, dando nós nas novas cordas, empurrando caixas e organizando tudo à nossa volta. Vento me acariciou os cabelos como se já estivesse fisicamente personificado, com dedos, calor próprio, e uma vida.

Foi nesse instante que percebi o sangue me invadir as bochechas, e fazer as cordas vocais se chocarem entre suspiros e expulsões de ar numa gargalhada contagiosa, que infectou alguns outros sorrisos tímidos dos camaradas à bordo dessa viagem sem rumo conhecido, o vento parecia que nos empurrava de propósito na direção contraria a do barco cada vez mais forte, quase derrubando , e nos enchia de pompa, instigava-nos a morrer de novo só para ter a mesma nova sensação de cada instante.

Como não tinha o controle da situação e não sabia do que se passava, pra onde íamos, ou o que estava nos levando. Me surpreendi  com o impacto que desacelerou o barco e cortou a minha testa numa quina imprevista, me levantei ainda cambaleando os olhos e as pernas em movimentos assíncronos e quando me restabeleci, diante de mim subiu aos meus pés um lugar onde o sol é amarelo-esverdeado, e a areia com ouro granulado e durante a minha nova caminhada, brincava com ela enquanto andava, massageando, e dormindo em mim, como uma criança cansada de seus brinquedos, andei em linha reta sem olhar pra trás, mas com receio da minha atuação, -- Eles são burros, pensava, para me satisfazer, da idiotice de não ouvir nem a mim nem eles.

Continuei a andar e andar, até meus pés sangrarem, a fome e o cansaço me derrubarem num demorado golpe de sacrifício voluntário de joelhos. Me levantei sem forças até pra respirar, permanecendo imóvel e sentido talvez num possível delírio, a areia se mover em círculos sob meus pés, repetindo a sensação obtida por mim. Ela começou a subir minhas pernas fazendo cócegas e enlanguescendo a abertura bucal, fazendo arranhões engraçados, e nesse embalo medonho os riscos se firmaram e doía cada vez mais, entrando, rasgando, e cortando todo obstáculo pertencente à meu corpo, sentindo todos os grãos possíveis e mais um pouco subindo meu corpo, substituindo meus orifícios, e poros por entupimentos. Chegando ao pescoço, esse ouro desceu a garganta fazendo o dobro de estrago que ele fez em todo o resto do meu corpo, e como num pulo em um abismo volumoso a sensação mais estranha que já me aconteceu, uma de choro invertido vagaroso, em que não sentia dores, apenas angustia, e lembranças tristes cortando o que não pode ser visto.

Fechei meus olhos com dificuldade, pois os grãos empoeirados já o dominavam, e quando querendo a morte abri os olhos, eu vi, pessoas.

Auto-retrato

Vendo globos infernais e estreitos
Marcas de guerra e da sobrevivência rala
Sob o espectro da manutenção sombria das pálpebras.
Pelos escassos numa pele branca
E de cabelos indefinidos
Tudo isso sobre rodas
Se movendo
“Inértico”

17 de dez. de 2011

Dúbia, ou não.

Entre insanos pensamentos
Vem um outro mesmo,
E a sequencia logica não tem contentos.
Os hormônios afloram, choram a esmo
Nos intervalos de inspiração.
Se é por loucura que sou gênio,
Se é o real que me dá tesão,
Se é por loucura que te tenho,
Então vou morrer na indecisão.

16 de dez. de 2011

De: louco Pra Outro

Sonhar o real para me embebedar da tua saliva
voar sob o fogo sendo puro gelo
porque na individualidade dupla a única alternativa
é sabermos que o infinito é o termino,
e não pesadelo.
É provar a veracidade do ateísmo
sendo Deus.
É num dialogo a dois,
virar o adimensional.
É esperar sabendo que não vai vir
É pensar que o inferno seria bom
se estivéssemos juntos.
É imaginar avulsos e matar presentes,
é ter o toque como assassino

oi,  

1 de dez. de 2011

Saudades

Não haviam nuvens no céu,
Apenas nobres aves.
Podia me recompor e deitar em ti,
Mas veio a nebulosa e agora
sob frio intenso, procuro
copiar teu abraço em milhões de outros braços
Tento em vão
E teu beijo, inconfundível, é duplo.
Dessa forma seria impossível nessa dimensão,
Amar-te ou te encontrar [...].

23 de nov. de 2011

Nirvana

Nesse mar doce e firme
Caí em prantos tenebrosos de joelhos
Mal conseguia erguer os meus
Tamanha era a força que teu olhar fazia
Porém sob a convivência cessante
O fel amargo mutou-se em mel,
E é sobre essa luz de lua minguante
que reflete os outros, que estou eu: em sétimo céu.



Dedicado por pedido à Amanda T.

Cantiga de escárnio ao meu infortúnio

Na cama 3/4 aplaudo o show de calouros,
e cada um dos gritos "supersticionados" pela ignorância fúnebre
A trilha sonora quase sinfônica,
reflete-se das pessoas melancólicas de almas agora: ateias, nos meus já não meus ouvidos
O prazer que tenho é o da pomada que envolve as crateras lunares,
até pouco tempo embalsamadas
Há dias e há dias e dentre esses o trauma infinito de ter vivido
o céu do inferno.

chegou a hora de tocar ainda é cedo

As palavras ecoaram tremendo
Todo o meu corpo,
E na cessão do eterno-um beijo.
Até os lábios não queriam se separar, mas
A razão se fez maior no solo.
Os olhos danavam o amor,
Mesmo desejando que o inferno não existisse.
Um sorriso triste se ergueu
Nas bochechas pálidas e fingi ter esquecido.

28 de set. de 2011

ainda sem titulo

Capítulo 1: Morte


A noite hachurada de gotas transvestidas em agulhas de prata me perseguem como à um ímã, torturando-me a epiderme. Se fosse dia, estaria navegando em trevas, mas é noite e a gélida madrugada abençoa a chuva transformando-a em meu carrasco. O enjoo tonto dos meus intestinos me lembra as ondas na praia.
Vento não me ajuda e algo finda com a maldição no abalar das estruturas do barco que acabam por se partir, e para não ver o desastre terminar ergo da cintura uma pistola com uma bala, uma bala marcada que se torna parte de mim, o estresse de adrenalina me permite sentir cada uma das etapas da minha morte. A bala cair do meu olho devido a minha posição semi-fetal e em seguida o tintilar doce na mesa de zinco, cores vivas em gradiente disforme iam substituindo as velhas, o ar entra purificado nos meus alvéolos, mas em contrapartida os meus músculos e nervos não correspondem as minhas ordens, até o arco reflexo sumiu. No compasso das trevas se rendendo os meus movimentos iam se restabelecendo, e num arrepio frio de todos os meus pelos vejo ensanguentado no chão meu próprio rosto, caído junto do meu corpo. Não senti medo ao me ver naquele estado, mas ainda era meu corpo e eu continuava com a ânsia de rever meus filhos que há tempos não os via. Porém estava morto e todos os meus desejos estavam cessados pela eternidade.
O apego ao material corpóreo que ainda me corrompia em desatinos e desesperos reiniciou a cachoeira de tormentos quando vi o meu outro eu no chão a se contorcer e soar estranhos grunhidos como se pudesse sentir dor.  O suor que escorria do rosto numa alquimia divina se transformava em vapor, e montando a nova realidade entre letras, paredes, tijolos e tintas. Aos poucos meus marujos iam sendo "construídos", e com o susto montado nos seus rostos eles vinham em minha direção com a suas descritíveis caras de pergunta.