30 de abr. de 2012

¬ Ânimo!

Nem meus orgasmos satisfazem
essa devassa tristeza que abomina 
os membros e o andar bípede de
uma lesma, um balbuciar satânico
sem pronuncias de um ódio, um 
rancor de formas tamanhas.
E como num golpe, um sino d'ouro
martela os ouvidos meus com a força 
quadrúpede de um touro.
Morro-me todas as noites de tédio
até uma trindade temporal, para por 
duas horas descansar as vinte e duas
de sorrisos falsos e idiotices precisas.

27 de abr. de 2012

O beijo

Quero deitar no teu corpo,
enchamear os corpos
tocar o teu rosto,
de sentimentos postos
morrer no gozo,
de mil vidas tristes,
cortar um sorriso,
de alvos dentes prestes
a invadir um céu de piso – vermelho.

24 de abr. de 2012

Em cada janela, uma história.

Um livro mumificado
folhea o rosto alvo
de uma vida negra
e das palavras que
prometem, saem juras
de pedras, pedras que
choram lágrimas doces
que pedem a exaustão,
e aos sentimentos que morram.

4 de abr. de 2012

Eu, ícaro.

O negro véu da minha
tristeza derrete os olhos.
E eu nu, ergo o sol, para de
novo cair queimado de ter
subido as escadas monótonas
tencionando o algo mais que
não tenho.
Sigo então sozinho matando
aqueles que dizem por dizer,
somente pela esperança de
encontrar no subir o deixar,
e não a queda.